The Saker ●●●●● tradução de
btpsilveira
Escrito originalmente para o site: http://www.unz.com/tsaker/the-eus-suicide-by-reality-denial/
Aconteceu o que tinha
que acontecer. Na União Europeia, o resultado já era esperado, dado que formada
por elos frágeis como é, e o povo holandês foi apenas o primeiro a votar contra
a associação com a Ucrânia. Claro que os euroburocratas podem agora encontrar
alguma razão para declarar o voto inválido, podem afirmar que alguma lei foi
violada e podem até substituir a simples negação por alguma forma de minimizar
a associação com a Ucrânia, e finalmente, podem simplesmente ignorar o voto do
povo holandês. Mas nada do que façam ou não façam fará qualquer diferença: a
verdade inegável e inescapável é que os ucranianos não são benvindos na União
Europeia, nem como associados e muito menos como membros. O resultado é que não
haverá OTAN, nem União Europeia nem “Futuro Europeu” para a Ucrânia. Todo o
balão de ar quente que inflamou as esperanças ingênuas e feias do Euromaidan
está em chamas e o projeto Euro-Ucraniano está quebrado e queimando como o
Hindenburg (dirigível alemão [LZ129
Hindenburg] fabricado pela Zepellin, que queimou totalmente em uma aterrisagem
nos Estados Unidos em 06 de maio de 1937, causando a morte de 13 passageiros,
22 tripulantes e um técnico no solo - NT).
Provavelmente não.
Eles farão o que
sempre fazem. Mentirão, negarão, minimizarão e, principalmente, fingirão que
nada aconteceu. Dirão que 60% de 30% de uma pequena nação da União Europeia não
podem tomar decisões que afetarão o continente inteiro. Ou então, dirão que ao
invés de uma velha e gasta “associação” com a União Europeia oferecerão à
Ucrânia coisa muito melhor – uma “amizade sincera”, talvez. Ou um “amor
eterno”. Talvez mesmo ousarão ir até uma “irmandade continental”. Tudo em vão.
Porque o povo europeu está claramente assustado com os Ukronazis, e até seus
“irmãos” poloneses estão pensando seriamente em construir um muro às próprias
custas, para manter os “amigos ucranianos” fora da Polônia. Sacaram o amor
eterno?
Primeira
Consequência: custos financeiros
Mas é tarde demais
para os europeus. As notícias realmente ruins é que terão que custear a
reconstrução da Ucrânia, mesmo mais ou menos. A Rússia? Simplesmente não fará
isso. Sua economia está em situação não tão boa e é pequena, e ela já tem
problemas suficientes com a tentativa de restaurar a lei e a ordem na Crimeia
(o que está se provando bem difícil, tendo em vista que a máfia local já está
querendo voltar ao modus operandi que praticava quando sob controle da Ucrânia).
Além disso, a Rússia terá que pagar pelos estragos no Donbass, como é óbvio. Assim,
a Rússia já está bem assoberbada.
Porém o mais importante
é que a Rússia possui os meios necessários para fechar suas fronteiras. O recém
criado Corpo de Guarda Nacional assumirá cumulativamente as responsabilidades
de vários ministérios e agências, entre as quais se inclui o Serviço Federal de
Migração. A Rússia já tem um Serviço de Guarda de Fronteiras que atualmente
inclui 10 escritórios regionais, 80 ou mais unidades de fronteira, 950 ou mais
barreiras de fronteira, 400 ou mais postos de fronteiras. Todos os dias o
serviço conduz 11.000 patrulhas. No total, os serviços de preservação de
fronteiras da Federação Russa é levado a efeito por 200.000 guardes
fronteiriços. O serviço tem sua própria Força Aérea, Navios Costeiros, Drones,
Diretoria de Inteligência, unidades blindadas e mesmo sua própria força Spetsnaz.
Na realidade, o Serviço de Guardas de Fronteiras da Rússia é mais poderoso que
a maioria dos exércitos da União Europeia. Agora, ainda tem todo o poder da
Guarda Nacional para lhe dar apoio. Não tenha dúvidas. A Rússia pode, e
certamente fará, se necessário, o fechamento e proteção de suas fronteiras.
Assim como os Estados
Unidos, a Rússia tem a melhor proteção fronteiriça do Planeta: Os Oceanos
Atlântico e Pacífico.
Assim, quando se vê a
Ucrânia em um buraco negro (processo que ainda está se desenvolvendo com força)
os únicos que estarão desprotegidos e que terão que fornecer os meios para
pagar a conta serão os europeus. Sim, a Rússia e os Estados Unidos também terão
que ajudar de alguma forma e o farão, por razões diferentes, mas o maior peso
do custo recairá diretamente sobre as costas dos contribuintes europeus. Este é
o preço que a Europa pagará, mais cedo ou mais tarde por sua incompetência e
arrogância.
Segunda
Consequência: Segurança
Porém ainda há outro
preço a pagar e desta vez estamos falando em segurança. Todo aquele agitar de
sabres da OTAN ao longo da fronteira russa acabou por eventualmente acordar o “urso
russo”: A Rússia não só instalou uma força formidável de mísseis Iskander em
Kaliningrado, como dobrou o tamanho de sua já formidável Força
Aerotransportada. Aqui está um trecho que escrevi em dezembro de 2014:
“os
russos não temem a ameaça militar representada pela OTAN. Sua reação aos
últimos movimentos da OTAN (novas bases e pessoal colocado na Europa Central,
mais gastos, etc) é denunciado apenas como movimentos provocativos, mas os
oficiais russos insistem que a Rússia pode facilmente lidar com essa ameaça
militar. Como um adjunto russo disse ‘um grupo de força diversionária de cinco
mil soldados é um problema que podemos resolver com apenas um míssil’. Uma
fórmula bem simplista de encarar o problema mas nem por isso menos correta. Como
mencionei antes, de qualquer forma, a decisão de dobrar o tamanho das Forças
Aerotransportadas da Rússia e de dar um upgrade na Regimento Especial
Aerotransportado de elite para o tamanho de uma brigada completa já foi tomada.
Você pode simplesmente dizer que a Rússia se preveniu quanto à criação de uma
força da OTAN de 10.000 homens, aumentando sua própria força móvel de 36.000
para 72.000 tropas. Isso é Putin puro e típico. Enquanto a OTAN anuncia com
fanfarras e fogos de artifício a criação de uma força especial de reação rápida
de 10.000 tropas como “ponta de lança” contra a Rússia, Putin calmamente e na
surdina dobra suas Forças Aerotransportadas de 36.000 para 72.000 tropas. E
podem me acreditar, as Forças Aerotransportadas da Rússia endurecidas em
batalha tem uma capacidade de luta bem maior que as hedonistas e desmotivadas
forças Europeias multinacionais (28 países) de 5.000 tropas que a OTAN se
esforça duramente para reunir. Todos os comandantes militares dos Estados
Unidos sabem perfeitamente disso.”
Mas
a Rússia não parou por aí. Putin ordenou a recriação do maior ameaça da Rússia
na Guerra Fria: a Primeira Guarda de Tanques do Exército. Esses grupos de
tanques incluem duas divisões de tanques (os melhores no Exército Russo – 2ª
Guarda Tamanskaya – Motor Rifle Division e a 4ª Guarda Kantemorisvskaya –
Divisão de Tanques, e um total de mais de 500 Tanques T-14 Armata. Esse exército
blindado é apoiado pela 20ª Guarda Combinada de armas do exército.
Não se enganem, esta
é uma força enorme, pesado e poderoso cujo propósito será muito semelhante ao
famoso soviéticos Exércitos "choque" durante a Segunda Guerra Mundial
e da Guerra Fria: "superar disposições defensivas difíceis, a fim de criar
uma penetração tático da amplitude suficiente e profundidade para permitir o
compromisso de formações móveis para a exploração mais profunda ".
A Europa – bravo! –
já pode se orgulhar de ter criado uma gigantesca alça de mira apontada
diretamente contra sua cabeça!
Muito pouca coisa
disso é relatado pela mídia ocidental, claro, e o público geralmente está
completamente inconsciente em relação ao fato de que enquanto a OTAN e
políticos ocidentais fingem jogar duro e ameaçam tentando intimidar a Rússia,
os russos decidiram levar as ameaças, fingidas ou não, muito a sério e tomaram
medidas práticas e reais.
Para alguém como eu,
que vivi através da Guerra Fria e que monitorava as Forças Soviéticas na
Alemanha Oriental, é preocupante e revoltante ver que o ocidente está
literalmente empurrando a Rússia de volta para uma Guerra Fria que ela nem
precisa nem quer. Claro que eu tenho absoluta confiança ao afirmar que não há
qualquer “ameaça russa” no Leste, e que a única maneira de fazer a Rússia
colocar em ação todo o seu poderio militar é se ela for atacada primeiro, mas a
lamentável realidade é que a OTAN e os países da União Europeia estão
diretamente na alça de mira das forças russas.
No que se refere aos
europeus, eles estão entendendo pouco a pouco que têm uma guerra longa e
dolorosa para lutar contra o terrorismo Wahabi. Os ataques em Paris e Bruxelas
foram apenas os disparos iniciais de uma luta que se estenderá por vários anos.
A Rússia demorou mais de uma década para finalmente derrotar os terroristas
Wahabi no Cáucaso, e eles tinham como escudo um homem da qualidade de Vladimir
Putin. Basta uma olhada em François Hollande ou Angela Merkel e você poderá sentir
em suas entranhas que estes palhaços lamentáveis jamais prevalecerão. Basta
colocar em comparação as reações de Vladimir Putin à derrubada do avião russo
sobre o Sinai com Federica Mogherini aos prantos depois dos bombardeios em
Bruxelas.
Agora… Imagine-se
como um líder terrorista Wahabi, sexista radical ao longo de toda a sua
existência, acrescentaria eu, olhando as duas fotos em sua frente. Poderia isso
influenciar sua seleção de alvos?
Claro que poderia.
A mesma coisa
aconteceu com a comparação dos anos de operações dos Estados Unidos/OTAN na
Síria em comparação com apenas seis meses das operações das forças
aeroespaciais da Rússia. Estados, assim como pessoas, têm uma “linguagem
corporal” e enquanto a linguagem corporal apresentada pela Rússia é de uma
enorme confiança e força formidável, a linguagem corporal da União Europeia e,
marginalmente, dos Estados Unidos, é de fraqueza, arrogância e incompetência,
beirando o suicídio (como as políticas de Merkel em relação aos imigrantes).
Conclusão
O resumo dessa
barafunda toda é o seguinte: o que os Estados Unidos e a União Europeia fizeram
na Ucrânia (e em outros lugares, na realidade) foi fantasticamente estúpido.
Mas os Estados Unidos tem dinheiro suficiente para pagar por suas ações
estúpidas, enquanto claramente, a União Europeia não tem. É verdade que, sim, a
Rússia foi realmente machucada por essas políticas, mas as suas dificuldades
foram canalizadas pelo Kremlin para tornar a Rússia mais forte em vários
níveis, da política ao exército, chegando mesmo à economia, embora aqui o
progresso seja minimalizado e a quinta coluna ainda comande várias ações. No
entanto continuo esperançoso de uma purga que já se faz extremamente
necessária.
O que a União
Europeia tem feito é essencialmente, uma forma de “suicídio pela negação da
realidade”. O que virá em seguida deve ser uma mudança de regime, não de
um país em particular, mas do continente inteiro. Penso que esta mudança de
regime é inevitável, mas a grande questão é o tamanho e a duração da dor e da
agonia da União Europeia até que isto aconteça. Penso que infelizmente, isso poderá
levar vários anos. Os líderes europeus com certeza não vão elegantemente pedir
desculpas e renunciar, trata-se de uma classe inteira de parasitas que vivem às
custas da estrutura da União Europeia e que resistirão desesperadamente a quaisquer
reformas, negando toda mudança de regime e que colocarão mais uma vez sua
diminuta mas poderosa classe comprador acima
dos interesses do próprio povo e até do senso comum.
O povo do continente
europeu, que vive hoje em democracia de mentirinha, descobrirá que não tem como
impor uma mudança política apenas através do voto e que tudo o que lhes foi
prometido não passa de uma mentira vazia e mal encarada. A Ucrânia não se
tornará a Europa, mas a Europa pode muito bem se tornar a Ucrânia.
União Europeia, bem
vinda ao mundo real!
The Saker
Muito bom.
ResponderExcluirRoberto, você e o oriente mídia são os últimos redutos que se importam ainda com traduções de política internacional, estamos sentindo falta das suas traduções.
ResponderExcluirVida longa ao Saker!!!
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirRoberto, muitíssimo obrigado por seu trabalho de tão inestimável valor!!!
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