sábado, 5 de janeiro de 2019


De 2018 a 2019 – pesquisa rápida de algumas tendências

The Saker trad: btpsilveira

(análise escrita originalmente para o site Unz Review)
O ano de 2018 entrará para a história como o de uma reviravolta na evolução do ambiente geoestratégico de nosso planeta. Existiram várias razões para isso e não conseguirei enumerá-las todas. Mas colocarei aqui algumas que considero as mais importantes:


O Império piscou. Várias vezes.

Foram os acontecimentos mais marcantes do ano: o Império AngloSionista fez todo tipo de ameaças terríveis, chegando a tomar algumas medidas realmente assustadoras, mas eventualmente, voltou atrás. Na realidade, o Império está em retirada em muitos fronts, mas vamos listar apenas alguns, cruciais:

A RPDC: (República Popular Democrática da Coreia – mais conhecida como Coreia do Norte – NT): você se recorda de todas as grandiosas ameaças feitas por Trump e seus capangas neocons? A administração chegou a anunciar que mandaria TRÊS (!) grupos navais de ataque com porta aviões nucleares para as águas da Coreia do norte, enquanto Trump esbravejava que iria “destruir totalmente” o país. Os sul coreanos eventualmente resolveram cuidar eles mesmos do assunto, abriram um canal de comunicação diretamente com o norte e todas aquelas ameaças dos Estados Unidos viraram conversa fiada.

A Síria em abril: as coisas aconteceram quando os EUA, a França e o Reino Unido resolveram atacar a Síria com mísseis de cruzeiro para “punir” os sírios, que supostamente teriam usado armas químicas (uma teoria tão absurda que nem merece ser discutida). Dos 104 mísseis disparados, 71 foram derrubados pelos sírios. Claro que a Casa Branca e o Pentágono, apoiados pela fiel mídia sionista, declararam o ataque um grande sucesso, mas nisso não há surpresa, dado que fizeram a mesma coisa durante a invasão de Granada (uma das piores operações de invasão militar da história) ou depois de uma derrota humilhante sofrida por Israel nas mãos do Hezbollah em 2006, assim essa declaração não vale grande coisa. A verdade é que a operação toda foi um fracasso militar tão acachapante que depois disso nada mais foi tentado (pelo menos até agora).

A Ucrânia: ficamos todo o ano de 2018 esperando por um ataque dos Ucronazis contra o Donbass que nunca aconteceu. Neste momento estou quase certo de que se argumentará que a junta nazista em Kiev nunca teve essa intenção, mas qualquer pessoa com um conhecimento mínimo do que aconteceu na Ucrânia este ano sabe que isso é bobagem: a junta fez de tudo para desfechar uma investida, exceto o último passo: uma ordem real de ataque. A ameaça aberta de Putin de que tal ataque acarretaria “consequências graves para a Ucrânia enquanto Estado soberano” provavelmente teve peso fundamental para conter o Império. Claro que os Ucronazis podem muito bem atacar em janeiro ou a qualquer tempo, mas o fato é que em 2018 não ousaram. Mais uma vez o Império (e seus minions) tiveram que desistir.

A Síria em Setembro: desta vez, foi a hipóstase israelense quanto ao Império que disparou uma crise massiva quando os israelenses fizeram um ataque escudando-se em um avião turboélice russo Il-20 que resultou na perda do avião com toda a sua tripulação. Depois de dar a Israel a chance de ser honesto e dizer a verdade (o que, sendo Israel o que é não foi feito), os russos cansaram e entregaram sistemas avançados de defesa aérea, guerra eletrônica e gestão de combate aos sírios. Em resposta, os israelenses (que tinham feito um monte de ameaças de que destruiriam imediatamente qualquer S-300 entregue aos sírios) basicamente tiveram que parar com seus ataques contra a Síria (bem, não totalmente, eles ainda executaram dois desses ataques: um totalmente sem efeito prático e outro no qual os loucos sionistas mais uma vez se esconderam atrás de uma aeronave, mas neste caso, não apenas uma, mas DUAS aeronaves civis  - mais sobre esta última proeza dos sionista loucos na sequência do artigo).O Império recuou mais uma vez.

Síria em Dezembro: aparentemente de saco cheio com as intermináveis brigas internas entre seus assessores, de repente Trump ordenou uma retirada total dos Estados Unidos da Síria. Claro que, desde que se trata dos Estados Unidos, temos que esperar para ver no que vai dar. Há um Kabuki complicado sendo executado pela Rússia, Turquia, os Estados Unidos, Israel, Irã, os curdos e os sírios para estabilizar a situação na sequência de uma eventual retirada dos EUA. Depois de um ano de falatório vazio sobre “o monstro Assad tem que sair” é surpreendente ver os poderes ocidentais jogando a toalha um depois do outro. Isso leva à questão óbvia: se “a cidade sobre a colina e única superpotência no planeta, líder do mundo livre e nação indispensável” sequer consegue lidar com um governo e exército sírio enfraquecidos, o que é que esse exército consegue fazer com sucesso (a não ser providenciar mais sucessos de bilheteria para um público [norte]americano cada vez mais ingênuo)?

Várias derrotas menores: incontáveis, entre elas o fiasco do caso Khashoggi, o fracasso na guerra contra o Iêmen, o fracasso na guerra do Afeganistão, o fracasso na guerra do Iraque, o fracasso nas tentativas de remover Maduro do poder na Venezuela e a perda gradual do controle sobre um número crescente de países europeus (Itália, por exemplo), as palhaçadas ridículas de Nikki Haley no Conselho de Segurança da ONU, a incapacidade de reunir os recursos intelectuais necessários para ter uma real e produtiva reunião com Vladimir Putin, a guerra comercial contra a China que está virando um desastre, etc. O que todos estes eventos têm em comum é que todos resultam da incapacidade dos Estados Unidos de realizar, fazer mesmo, seja o que for. Longe de ser atualmente uma superpotência, os Estados Unidos estão em maneira de declínio total e a principal coisa que ainda lhes dá um status de superpotência são suas armas nucleares, exatamente como a Rússia (URSS) nos anos 90.

Todos os problemas internos que resultam das lutas intestinas das elites (norte)americanas (de maneira geral: a gang Clinton X Trump e seus deploráveis) só pioram as coisas. Apenas a sequência aparentemente interminável de renúncias ou demissões na Administração Trump já é um sinal claro do estado avançado de colapso da política dos EUA. As elites não lutam entre si quando as coisas vão bem, elas lutam quando a vaca está indo para o brejo. O ditado “a vitória tem mil pais, mas a derrota é uma órfã” está aí para nos lembrar que quando um bando de criminosos começa a perder o controle da situação, a coisa rapidamente se transforma em um cenário de “salve-se quem puder”, onde todos culpam a todos pelos problemas e ninguém quer ficar sequer nas proximidades daqueles que entrarão pelas portas dos fundos da história como os patetas ridículos que rebentaram com tudo.

Já as forças armadas dos Estados Unidos conseguiram um sucesso tremendo na tarefa de matar um número cada vez maior de pessoas, a maioria civis, mas falharam em conseguir conquistar qualquer objetivo, pelo menos quando entendemos que o objetivo principal de uma guerra não é só matar gente, e sim “a continuação da política por outros meios”. Vamos comparar por contraste o que a Rússia e os Estados Unidos fizeram na Síria.

Em 11 de outubro, Putin declarou o seguinte, em uma entrevista concedida a Vladimir Soloviev no Canal de Televisão Russia 1: “nosso objetivo (na Síria) é estabilizar a autoridade legítima e criar condições para um compromisso político”. É isso. Não declarou que a Rússia ir mudar sozinha o curso da guerra, ou sequer vencer a guerra. A (minúscula!) força tarefa russa na Síria conseguiu seu objetivo original em apenas alguns meses, algo que o Eixo-de-Bondade não conseguiu em anos ((mesmo sabendo que os russos fizeram tudo com uma pequena fração das capacidades bélicas à disposição de EUA/OTAN/UE/CENTCOM/Israel na região. Na verdade, os russos até tiveram que criar rapidamente um sistema de suprimento que não tinham, dado a postura militar puramente defensiva da Rússia – a projeção do poderio militar russo é em sua maior parte limitada a 500-100 km a partir das fronteiras russas).

Em comparação, os Estados Unidos estão lutando sua assim chamada GGCT (Guerra Global Contra o Terrorismo – sigla em inglês GWOT = Global War on Terror – NT) desde 2001 e tudo o que tem para mostrar é que o terrorismo (em suas várias facetas) tornou-se cada vez mais forte, tem o controle de mais território, matou mais pessoas e parece mostrar em sua generalidade uma espantosa capacidade de sobreviver e até mesmo progredir apesar da GGCT (ou graças à). Como diria Putin “o que se pode esperar de pessoas que sequer sabem diferenciar a Áustria da Austrália”?

Pessoalmente, o que espero deles é que declarem “vitória” e sumam.

Aliás, é exatamente o que os Estados Unidos sempre fazem.

Pelo menos, é o que estão dizendo neste exato momento. Mas podem mudar 180 graus, de repente, mais uma vez.

No Afeganistão, por exemplo, os Estados Unidos já estão há mais tempo que os soviéticos estiveram. Isso não sugere fortemente que os líderes (norte)americanos são ainda mais “incompetentes” do que a era de “estagnação” da gerontocracia soviética?


O fracasso em dominar ou mesmo conter a Rússia

O discurso de Putin em primeiro de março de 2018 para a Assembleia Federal da Rússia foi um momento realmente histórico: pela primeira vez desde que o Império decidiu lançar a guerra contra a Rússia (uma guerra de informação em cerca de 80%, 15% econômica e apenas 5% cinética, mas que pode se tornar 95% cinética de uma hora para a outra!) os russos decidiram alertar abertamente aos Estados Unidos que sua estratégia já tinha sido completamente derrotada. Pensa que isso é um exagero? Pois pense novamente. No que se baseia o poderio militar dos Estados Unidos? Quais seus componentes principais?
·         Poder aéreo (supremacia no ar)

·         Armas seguras de longo alcance (balísticas ou hipersônicas) – NT: o conceito de armas seguras de longo alcance contempla mísseis que supostamente seriam lançados contra o alvo (por aviões ou navios) de uma distância longa o bastante para assegurar que não haveria retaliação possível pelo alvo a ser atingido.

·         Porta aviões

·         Defesa antimíssil (pelo menos em teoria!)

·         De 800 a 1000 bases pelo mundo (depende de como você conta)

A entrega do que é sem sombra de dúvida o mais sofisticado sistema de defesa aérea no mundo, apoiado pelo que é provavelmente o mais formidável e capaz esquema de guerra eletrônica (sigla em inglês EW – NT) atualmente existente criaram o que os comandantes de EUA/OTAN se referem como a “capacidade de anti acesso/área negada (A2/AD – negação de acesso e de área - NT)” a qual, como dizem esses comandantes, podem surgir repentinamente através do Mar Báltico, do Mediterrâneo, da Ucrânia, Síria e outros locais (poderiam aparecer na ilha Orchila, na Venezuela em 2019). Além disso, em termos de qualidade, o poder aéreo tático russo é mais moderno e pelo menos igual, se não superior, a qualquer coisa que os Estados Unidos ou a OTAN possuam em materiais táticos e aeronaves. Mesmo levando em conta que o ocidente de forma geral, e os EUA em particular, tenham um número muito maior de aeronaves, elas são na sua maioria ultrapassadas, e os vários encontros entre aeronaves russas e (norte)americanas nos espaços aéreos sírios mostram que os pilotos dos EUA preferem ir embora quando aparecem os SU-35S russos.

O resultado da colocação em serviço ativo (já em 2018!) do míssil hipersônico Kinzhal é basicamente tornar subitamente obsoleta e inútil toda a frota de superfície dos Estados Unidos para um ataque contra a Rússia. Não importa o tipo do navio, seja Porta Aviões, vários tipos de Destroyers, Cruzadores, navios anfíbios de assalto, navios de combate no litoral (a maioria frágil), navios de transporte, etc. – a partir de agora, não passam de passam de alvos fáceis que os russos podem varrer da face do oceano independentemente de suas defesas antiaéreas ou as que suas escoltas possam ter.

Da mesma forma, a implantação de um míssil intercontinental balístico termonuclear superpesado como o Sarmat e o veículo planador hipersônico Avangard tornou todos os esforços dos EUA para a construção de mísseis antibalísticos completamente inúteis.  Vou repetir: TODOS os esforços dos EUA na construção de seu esquema de mísseis antibalísticos, incluindo bilhões de dólares gastos em pesquisa e desenvolvimento, agora se tornaram completamente inúteis.

 [Nota de esclarecimento: é importante esclarecer algo neste instante: nenhum dos novos sistemas de armamento russo fornece qualquer forma de proteção à Rússia no caso de um ataque nuclear (ou convencional) dos Estados Unidos. “Tudo” o que eles fazem é tornar totalmente certo que os líderes dos EUA jamais devem alimentar novamente as ilusões que perseguem desde a “Guerra nas Estrelas” de Reagan, isto é, que poderiam de alguma forma escapar de um segundo ataque russo (contra ataque) retaliatório caso decidam atacar a Rússia. Na verdade, mesmo sem o Sarmat ou o Avangard, a Rússia já tem mísseis mais do que suficientes (de terra, ar e baseados no mar) para reduzir os Estados Unidos a escombros no caso de um contra ataque retaliatório, mas os políticos dos EUA ainda fazem planos mirabolantes, perseguindo a quimera de uma defesa com mísseis anti balísticos, apesar do fato claríssimo que um sistema assim não funcionará (alguns “mísseis que escapam” [“leakers”, no texto em inglês - NT] podem muito bem ser aceitáveis quando se trata de armas convencionais, mas apenas alguns desses “mísseis que escapam” são mais que suficientes para cobrar um preço terrível de qualquer atacante iludido o suficiente para pensar que 90% ou mesmo 98% de efetividade em um “escudo” bastaria para a proteção contra o risco de um ataque de uma superpotência nuclear). Bem, você pode dizer que os novos recursos russos (entre eles os mísseis táticos de curto alcance Iskander) são um tipo de “destruidor de delírios” ou uma “chamada de atenção para a realidade”, que colocará abaixo as ilusões dos Estados Unidos sobre os riscos de uma guerra contra a Rússia. Oxalá eles jamais tenham outro uso].

Finalmente, o desenvolvimento de uma nova geração de mísseis seguros de alcance muito longo pela Rússia lhe deu uma vantagem de “longo alcance” que se resume em ser capaz de atacar qualquer alvo dos Estados Unidos (seja uma força militar, seja uma base) no mundo inteiro, incluindo dentro dos Estados Unidos (fato quase nunca mencionado pela imprensa ocidental).

Agora, dê uma olhadinha acima, na lista dos principais componentes do poder militar dos Estados Unidos e veja que tudo se transformou, basicamente, em lixo.

O que temos então é uma situação clássica na qual, por um lado, os planejadores das forças armadas de um país fizeram erros de cálculo fundamentais que tiveram influência direta no tipo de força militar que o país poderia ter por ao menos duas e possivelmente três décadas. Por outro lado, no país rival, seus planejadores tomaram as decisões corretas que lhes permitiram derrotar uma força militar cujo orçamento de defesa é quase dez vezes maior. A consequência mais grave deste estado de coisas para os Estados Unidos é que agora, demorarão pelo menos uma década (ou mais!) para reformular seu planejamento estratégico (sistemas de armas modernas algumas vezes levam décadas para projetar, desenvolver e instalar). O malfadado Zumwalt, o F-35, o porta aviões Gerald R. Ford (CVN 78) – todos são exemplos obscenos de como se pode gastar bilhões de dólares e ainda assim ficar com sistemas de armas desastrosos que só fazem enfraquecer cada vez mais as forças armadas (norte)americanas.

Há uma razão simples pela qual os Estados Unidos vieram a se tornar uma superpotência no século 20: não só seu território está protegido por grandes oceanos, como toda a primeira e segunda guerras mundiais foram lutadas bem longe dos Estados Unidos: todos os seus competidores potenciais tiveram suas economias nacionais completamente destruídas enquanto os Estados Unidos sequer perderam uma única fábrica ou agência de pesquisa/projeto. Daí, os Estados Unidos puderam usar sua imensa e poderosa base industrial para, em síntese, oferecer para um mercado praticamente mundial, bens que apenas os EUA podiam fabricar e entregar. Mesmo assim, apesar dessas vantagens enormes, os Estados Unidos passaram quase toda a sua história arrasando países indefesos, um após o outro, para assegurar uma completa submissão às exigências do Tio Shmuel (versão AngloSionista do Tio Sam). Tudo porque é “indispensável”, penso eu...

Graças aos globalistas, a base industrial dos EUA bateu asas. Graças aos neocons e sua arrogância, os Estados Unidos estão enredados em uma forma ou outra de conflitos contra os principais países do planeta (especialmente se ignorarmos a existência de elites comprador apoiadas e dirigidas pelos Estados unidos). A submissão completamente estúpida e autodestrutiva dos Estados Unidos às vontades e exigências de Israel acabou por resultar em uma situação na qual os Estados Unidos estão perdendo o controle sobre o Oriente Médio, rico em petróleo, no qual reinou por décadas. Finalmente, ao escolher erradamente tentar submeter ao mesmo tempo a Rússia e a China aos desejos do Império, os neocons tiveram sucesso em promover uma aliança de fato entre os dois países (na realidade um relacionamento simbiótico) que, longe de isolar os dois países acabou na realidade por isolar os Estados unidos do local “onde as coisas estão acontecendo” em termos de desenvolvimento econômico, social e político (em primeiro lugar a massa terrestre da Eurásia e o projeto OBOR [One Belt, One Road – Um Cinturão, Uma Estrada, projeto hoje conhecido como Iniciativa Cinturão e Estrada, em inglês, Belt and Road Initiative, BRI – NT].


Perspectivas em 2019 para o Império: problemas, problemas e para completar, mais problemas


Bem, 2018 foi um ano excepcionalmente sórdido e perigoso, mas 2019 pode provar-se ainda mais perigoso, pelas razões a seguir:

A menos que os Estados Unidos mudem seu curso político e desistam da russofobia suicida de Obama e Trump, um confronto militar entre Rússia e EUA é inevitável. A Rússia recuou até onde foi possível, e não há mais para onde ir, portanto ela não recuará mais. Não tenho qualquer dúvida de que se os Estados Unidos tivessem realmente atingido unidades russas na Síria (que era o que Bolton parecia querer, mas Mattis aparentemente rejeitou categoricamente), os russos teriam desfechado um contra ataque não apenas contra os mísseis (norte)americanos, mas também contra seus portadores (especialmente navios). Sei de fonte confiável que na noite do ataque um avião russo MiG-31K portando o míssil Kinzhal estava de prontidão no ar, preparado para atacar. Graças a Deus (e possivelmente, graças a Mattis) isso não aconteceu. Mas como já afirmei em meu artigo “Cada clique nos aproxima mais do estouro!” a cada vez que a Terceira Guerra Mundial não acontece na sequência de um ataque contra a Síria os neocons se sentem fortalecidos para tentar mais uma vez, especialmente dado que “Assad, o monstro que tem que cair” permanece no poder em Damasco enquanto todos e cada um dos políticos ocidentais que “decretaram” a queda de Assad já caíram.


É completamente óbvio que Israel está se tornando um país insano, absoluta, terminal e possivelmente, de forma suicida. Sua manobrazinha sórdida com o avião russo Il-20 já se provou um desastre de proporções gigantescas que, em um país normal, resultaria na imediata renúncia do governo. Mas não em Israel. Depois de se esconder atrás de um avião militar russo turboélice, eles agora decidiram se esconder dos mísseis do sistema S-300 sírio por trás de DUAS aeronaves da aviação civil! Veja você mesmo:


Não acho que valha a pena raciocinar aqui em termos de que Israel é o último país abertamente racista no planeta, ou que os líderes israelenses são imorais, insanos e, no geral, maníacos completamente enlouquecidos. Ou você já entendeu isso ou você é um caso perdido. O que importa mesmo não é quão maus são os israelenses, mas quão estúpidos e totalmente imprudentes eles são. Simplificando, funciona assim: os israelenses são maus, estúpidos e completamente iludidos, mas eles são também os donos (donos mesmo!) de cada um e todos os políticos de importância dos Estados Unidos, o que significa que não importa quão escandalosas e insanas sejam suas ações, a “nação indispensável” *sempre* encontrará uma desculpa e se preciso, proporcionará um acobertamento para eles (v.g. USS Liberty ou, por falar nisso, o incidente em 11/09). Neste momento não há ninguém na classe política dos EUA que tenha qualquer chance de ser eleito e que ouse fazer coisa diferente de demonstrar adoração por tudo o que seja israelense (ou judeu, por falar nisso). O lema real dos Estados Unidos não é “Nós confiamos em Deus” e sim “não há direitos entre Estados Unidos e Israel” (mais uma razão pela qual os EUA não são uma superpotência real: sequer são soberanos!).


O Império também tem alguns problemas enormes na Europa. Em primeiro lugar, caso os ucronazis que são protegidos dos Estados Unidos encontrem coragem (ou desespero) suficiente para atacar a Rússia ou o Donbass, o caos que resultará dessa ação vai inundar a União Europeia com ainda mais refugiados, muitos dos quais de comportamento realmente inconveniente e caráteres extremamente perigosos. Além disso, os sentimentos contrários à União Europeia estão se tornando cada vez mais fortes na Itália, Hungria e por outras razões, até mesmo na Polônia. A Franca está à beira de uma guerra civil (não por causa dos acontecimentos recentes: penso que os Coletes Amarelos acabarão por perder o ânimo); mas das próximas agitações, que creio acontecerão bem rápido, e que virão como uma explosão, resultado provável da derrubada do regime francês tutorado pela CRIF (em francês: Conseil Représentatif des Instituitions juives de France – Conselho Representativo das Instituições judias da França), afiliada francesa da organização Congresso Judeu Mundial (sigla em inglês WJC, World Jewish Congress) e do ramo europeu (EJC – European Jewish Congress) atualmente em plena atividade na França e de uma onda de ódio massivo contra os Estados Unidos.


Na América Latina, o Império tem tido muito sucesso na deposição de uma série de líderes patriotas e independentes. No entanto, atualmente não conseguem mais dar viabilidade econômica e política aos regimes atrelados aos Estados Unidos. Por incrível que pareça, e apesar de uma campanha subversiva maciça desfechada pelos EUA, e de alguns erros políticos, a Administração Maduro permanece no poder na Venezuela e está devagar mas com firmeza tentando mudar o curso da história e manter a soberania e independência da Venezuela frente aos Estados Unidos. O maior problema dos Estados Unidos na América Latina é que os EUA sempre se impuseram usando uma elite comprador local. Nesse sentido, os EUA tem tido um enorme sucesso. Porém os Estados Unidos nunca conseguiram convencer as massas populacionais de sua benevolência e é por isso que a palavra “yankee” continua significando um insulto em todos os países da América Latina.


Na Ásia, a China está oferecendo para todas as colônias (norte)americanas um modelo civilizacional alternativo que se torna cada vez mais atrativo na medida em que a República Popular da China se torna economicamente mais poderosa e bem sucedida. Isso faz com que a mistura habitual de arrogância, húbris e ignorância que uma vez permitiu que os países anglo-saxões dominassem a Ásia perca atrativo e poder e que os povos asiáticos procurem por alternativas. Verdade seja dita – os Estados Unidos não tem absolutamente nada para oferecer.


Resumindo: os Estados Unidos não só são hoje incapazes de impor sua vontade aos países considerados como “aliados dos EUA” (se o gasoduto NorthStream chegar a ser concluído – e acho que será – então isso será um marco anunciando a primeira vez que os líderes da União Europeia disseram para um presidente dos Estados Unidos ficar na dele, para usar um eufemismo), mas os EUA obviamente não tem nenhum tipo de projeto a oferecer a terceiros países. Sim, MAGA (Make America Great Again – Torne a América Grande Novamente – NT), é muito bonitinho e elegante, mas duvido que tenha muitos atrativos para outros países que estão pouco se lixando para MAGA ou não MAGA...


Conclusão usando um ditado russo

Há um ditado russo “melhor ter um fim horrível que viver um horror sem fim” (лучше ужасный конец чем ужас без конца). Não há mais dúvidas de que o declínio do Império AngloSionista continuará em 2019. No entanto, o que não mudará é a capacidade dos Estados Unidos de destruir a Rússia com um ataque nuclear. Não se engane, tudo o que as novas e extraordinárias armas russas fazem é providenciar a certeza de punir (retaliação contra) os Estados Unidos por um ataque contra a Rússia, mas não tem a capacidade de prevenir (impedir) esse ataque. Caso os neocons decidam que um holocausto nuclear é melhor que a perda de poder dos EUA, então ninguém conseguirá fazer nada para impedi-los de jogar sua própria e sórdida versão de Götterdämmerung. (Crepúsculo dos Deuses, em alemão – aqui com o sentido também de apocalipse – NT). Recentemente tive que ficar alguns dias em Boca Raton, onde um monte de “novos aristocratas” dos EUA gosta de passar o tempo e posso lhes dizer duas coisas: a vida deles é boa e eles com certeza não entregarão facilmente o status de “líderes do planeta”.  E se alguém tentar tomar deles essa condição não tenho dúvidas que esse pessoal reagirá com uma explosão de raiva surda e desesperada como aconteceu com Sansão. Assim permanece apenas mais uma questão: seremos capazes (a humanidade) de tomar dessa classe de parasitas a capacidade de apertar o botão nuclear sem lhes uma chance de fazer exatamente isso?

Não sei.

E então, será um fim horrível ou um horror sem fim?

Também não faço ideia.

O que sei mesmo é que o Império está rachando e que tudo indica que seu declínio só ganhará velocidade em 2019.


The Saker


3 comentários:

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  3. Amigo btpsilveira, Porque não continua com as suas traduções?
    Este blog é extraordinariamente bom, pena estar parado no início de 2019, quando tantos acontecimentos importantes estão a concorrer. Seria possível edar-me a sua opinião através de email?
    Antecipadamente grata
    luisavasconcellos2012@gmail.com

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