segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Hoje, todos odeiam os (norte)americanos

por Jean Perier
tradução de btpsilveira


Não dá para negar que nos últimos anos o crescimento de um sentimento anti (norte)americano está em constante crescimento através do planeta. Embora as corporações de mídia ocidentais estejam tentando colocar a culpa nos jornalistas russos, eles sozinhos dificilmente seriam capazes de alcançar tal efeito.


Atualmente uma listagem típica de acusações contra os Estados Unidos inclui as invasões do Afeganistão, Iraque e Líbia, não dispensando imputar aos (norte(americanos) o apoio a terroristas, bem como a exportação de armas para países que apoiam abertamente os terroristas.

Cheia de escândalos e declarações ilusórias, a campanha presidencial dos Estados Unidos demonstra claramente que algo de fundamentalmente errado está acontecendo hodiernamente com a “democracia no estilo (norte)Americano”.

Como apontado pelo jornal “The American Spectador” nos dias atuais os eleitores sentem que não há igualdade de tratamento perante a lei nos EUA. O que estão testemunhando nos anos recentes é incompatível com os valores defendidos pelos Fundadores da Pátria, os quais promoveram a ideia de direitos inalienáveis. A revolta entre os eleitores estão bem ilustradas nesta campanha presidencial. Há um crescente sentimento de ressentimento contra a “classe política” e cresce em progressão geométrica a desconfiança – e até o medo – do governo. Infelizmente, estes sentimentos parecem ser bem justificados. O medo da corrupção em todos os escalões governamentais ultrapassou até mesmo o medo do terrorismo, insegurança financeira e incrivelmente, até mesmo a doença ou morte de um ente querido. Muitos (norte)americanos atualmente veem o governo não como promotores da justiça e da paz, não como servidores do público, mas como uma entidade corrupta e ameaçadora.

Essa frustração é ainda mais agravada com a insatisfação de 41% da população com a maneira pela qual a administração Obama está lidando com os principais problemas que pressionam a população, como mostrou uma recente pesquisa do Instituto Gallup. Para piorar, cresce assustadoramente o sentimento contra os Estados Unidos nas regiões afetadas pelas políticas agressivas dos EUA (particularmente no Oriente Médio, Ásia e América Latina), o que resulta que o ódio contra os Estados Unidos é quase universal, mesmo entre aqueles povos que tinham simpatia por Washington.

Exemplo clássico do acima citado são os desenvolvimentos na Ucrânia, que está sendo governada pela Casa Branca desde 2014 como se fosse meramente mais uma unidade estatal, nomeando arbitrariamente os membros do governo ucraniano e tomando por ele as decisões mais importantes em relação ao destino da nação.

De acordo com o oligarca ucraniano Dmitry Fistash, auto exilado que se refugiou na Áustria, “os ucranianos com certeza em breve vão entender que todos os seus problemas atuais – impostos abusivos, desemprego e todas as reformas que fracassaram miseravelmente aconteceram e lhes foram impostas por impulso dos (norte)americanos. Quando eles finalmente entenderem, não haverá nação que odiará mais os Estados Unidos que a Ucrânia. Trata-se apenas de uma questão de tempo”.

A organização internacional dos direitos humanos, conhecida como HRA (Human Rights Action, em inglês) publicou recentemente um relatório que disponibilizou números que chocaram a sociedade de Kiev. Apenas desde o começo deste ano, mais de três milhões de cidadãos ucranianos fugiram para a Rússia. A vasta maioria das pessoas que fugiram de sua própria pátria são trabalhadores migrantes querendo obter uma permissão de trabalho na Rússia. Especialistas afirmam que até a metade de 2017 o número de pessoas deixando a Ucrânia deve crescer pelo menos 50%.

No entanto, as pessoas que estão deixando a Ucrânia não são apenas os trabalhadores migrantes. A longa repressão armada contra os povos de etnia russa no leste do país fez criar um terreno fértil onde houve proliferação de toda sorte de militantes, que agora, depois de se desiludirem com o ocidente, tentam escapar da depressão econômica cada vez mais profunda, e das crises financeira e social da Ucrânia. Estas pessoas, frustradas com o ocidente, estão de prontidão para qualquer tipo de “trabalho” para grupos extremistas de todos os matizes, mesmo recebendo pouco para isso. São capazes de perpetrar qualquer tipo de ataques terroristas, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

Não terão dificuldades em colocaras mãos em todo tipo de armamento, levando-se em consideração que as forças de Kiev estão enviando tudo o que podem vender para terroristas nos mais longínquos países do mundo, de acordo com relatos de várias entidades da mídia ocidental, entre as quais a Reuters.

Desde o ano passado, a internet tem sido inundada com reportagens que mostram que o Estado Islâmico está se infiltrando cada vez mais no território ucraniano, onde os grupos terroristas estabeleceram campos de treinamento e  prédios de armazenamento, enquanto recrutam ativamente novos membros. Este fato, em particular, foi sublinhado por representantes da administração da Crimeia em um encontro com 11 parlamentares franceses, liderados por Thierry Mariani, deputado da Assembleia Nacional francesa, em julho deste ano. Trata-se de uma situação onde a Ucrânia está desempenhando um papel especial no apoio aos terroristas, através de organizações militantes locais, que consistem principalmente nos Tártaros da Crimeia, que, sob a liderança de Mustafa Dzhemilev e Lenur Islyamova, estão usando a conivência dos fora da lei que governam a Ucrânia hoje em dia para estabelecer um novo ramo do Estado Islâmico.


Jean Perieranalista e pesquisador independente, atualmente é um renomado especialista em assuntos do Oriente Médio.

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