quinta-feira, 3 de março de 2016


Resultado de imagem para Brian CloughleyNão cutuque dragões ou ursos em suas tocas

Brian Cloughley ●●●●● tradução: btpsilveira


Em setembro do ano passado, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Barak Obama declarou, e não estava sequer tentando ser irônico, que “a História está cheia de falsos profetas e de impérios decaídos, que acreditavam que estavam sempre certos no que faziam, e que poderiam continuar assim indefinidamente. Não foi o que aconteceu”.

Uma semana antes a aliança militar da OTAN, liderada pelos Estados Unidos, aprovara um plano para dobrar sua força expedicionária para 40.000 tropas e decidiu criar “mais duas unidades de forças integradas da OTAN... na Hungria e na Eslováquia, acrescentadas aos quartéis generais que já existem na Estônia, Lituânia, Letônia, Polônia, Bulgária e Romênia”, Trata-se nada mais nada menos que um deplorável caso de continuar acreditando que pode fazer o que quiser enquanto quiser, na medida em que tais ações não tem qualquer outro propósito a não ser ameaçar a Rússia, coisa que Washington considera essencial para o crescimento de sua indústria doméstica de armas e de seu “complexo militar/industrial” de maneira geral.


(O discurso do presidente Dwight D. Eisenhower para a nação em 1961, no qual ele cunhou a sugestiva e acusatória expressão “complexo militar/industrial” é recordado sempre que um dos discursos mais premonitórios e clarividentes da história dos Estados Unidos da América).

O Secretário da Defesa dos EUA, Ash Carter, está  orgulhoso do fato de que as forças armadas dos Estados Unidos têm “mais de 450.000 homens e mulheres servindo no estrangeiro, em todos os domínios, nos ares, na terra e no mar” – o que soma mais que o total de todas as tropas fora das fronteiras nacionais de todos os países do mundo.
O USS Lassen
Duas semanas antes das mais recentes ameaças belicosas dos Estados Unidos/OTAN contra a Rússia, o destroier USS Lassen, da Marinha dos EUA recebeu ordens de levar a efeito uma “operação de liberdade de navegação” no Mar do Sul da China, através da navegação próximo ao território reclamado e ocupado pela China. Essa provocativa exploração desnecessária aconteceu apenas para tornar claro para China que estava sendo desafiada militarmente em seu próprio quintal, por um país que não tem qualquer interesse ou direito territorial na região.

De acordo com a Reuters “um funcionário altamente qualificado da administração Obama” disse que o objetivo da operação de confrontação no Mar do Sul da China ocorreu para “prosseguir com nossos objetivos estratégicos na região do Pacífico, incluindo-se as questões marítimas”.

As atuais percepções (norte)americanas sobre a situação internacional se parecem cada vez mais com as da Guerra Fria, quando o presidente Reagan, por exemplo, mostrou uma propaganda eleitoral que dizia basicamente o seguinte: “Há um urso na floresta. Alguns o veem facilmente. Outros não. Alguns dizem que o urso é inofensivo. Outros, que é mau e perigoso. Já que ninguém tem certeza quando à verdade sobre o urso, não seria mais inteligente ser tão forte quanto ele?”

Resultado de imagem para Philip BreedloveEstava na cara que o urso era a Rússia. O perigosamente belicoso General Breedlove, líder militar do grupo EUA/OTAN, disse que “por muito tempo, os Estados Unidos ‘abraçaram o urso’ da Rússia. Mas agora, diz ele, está na hora de endurecer. Esse endurecimento poderia vir na forma de mais tropas dos Estados Unidos na Europa, continuou, e mais treinamento de ‘nível superior’, a fim de preparar os (norte)americanos para uma potencial batalha contra o antigo inimigo dos tempos da Guerra Fria.»

É claro que ele está na mais completa ignorância de que a Rússia quer forjar laços comerciais mutuamente benéficos com seus vizinhos, especialmente com os países da União Europeia, e que é inútil tentar cortar tais laços econômicos.
O urso só quer comerciar e prosperar. Mas se o urso for provocado, se for impedido e se a provocação maldosa prosseguir, talvez a nação “indispensável” possa vir a encontrar alguns problemas mais à frente.

* * *

Ao tentarmos contemplar o futuro, seria aconselhável refletir à resposta dada por Napoleão, quando perguntado durante seu exílio final, quanto ao que considerava ele deveria a maior preocupação do mundo nos séculos vindouros. Afirma-se que ele declarou que poderia ser “quando o Dragão acordar”.
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Agora, o Dragão está acordado, e por isso está sendo desafiado.

O mar do Sul da China faz litoral para nove Estados e a maioria deles tem reivindicações de soberania em suas águas, alguns de forma mais razoável que os outros. Já os Estados Unidos dispõe de uma enorme frota com bases militares em toda a extensão do Pacífico ocidental, em volta da China e ainda ameaçando a Rússia na Europa. (“tem 450.000 homens de mulheres servindo no estrangeiro, em todos os domínios, em terra, mar e ar” como declarou orgulhosamente o Secretário de Defesa Ash Carter, o qual, afirma a Forbes, foi “consultor para empresários da defesa, tanto que quando voltou para o Pentágono em 2009, foi obrigado a obter uma dispensa especial, devido ao seu trabalho para várias empresa, entre elas e MITRE Corp., bem como a Global Technology Partiners, uma firma que oferece consultoria de defesa”.)

Nenhuma das pequenas ilhas do Mar do Sul da China foi apropriada pelos imperialistas na época de sua expansão colonial, mas em épocas mais recentes há um crescente interesse pela região. Interesse baseado, é claro, em imperativos econômicos, embora as estimativas sobre a quantidade de petróleo, gás e minerais raros sob as ondas variem muito.

Não interessa as vantagens nacionais que podem ser obtidas, sempre haverá problemas nas repartições legais de afloramentos rochosos entre países. A Convenção das Nações Unidas sobre a Legislação Marítima – ratificada pela China, mas não pelos Estados Unidos – é sensata ao estatuir que “as rochas que não se prestam à habitação humana ou para sustentar uma vida econômica própria não devem ser possuidoras de Zona Econômica Exclusiva ou direitos à Plataformas Continentais”.  Ocorre que se de repente um jorro de petróleo subaquático jorra nas proximidades destas ilhotas, você corre para construir uma plataforma sobre as rochas, onde planta alguns vegetais e grãos, cultiva legumes e declara que seu pequeno paraíso rochoso é habitado e autossuficiente. Portanto, faz jus a uma Zona Econômica Exclusiva que se estende por 200 milhas náuticas em volta. Os Estados Unidos não concordam com isso.

Então, ao longo dos anos os Estados Unidos fazem crescer seu poderio militar pela região – neste instante, tem 70 navios de guerra, mais de 300 aviões de combate e 40.000 marines para confrontar a China em seu próprio quintal. O chefe do Pentágono declara aos quatro ventos que faz isso em nome da “liberdade de navegação” – ignorando deliberadamente o fato de nenhuma embarcação comercial jamais foi nem será bloqueada pela China ou impedida de navegar atravessando o Mar do Sul da China. Na realidade, sequer tentar qualquer coisa parecida como interferência nesse tipo de transporte representaria para Pequim uma espécie de suicídio comercial, já que é esse transporte que garante a expedição de imensas quantidades de exportação e importação do país.

Os Estados Unidos estão claramente a desafiar a China, e o fato de que as provocações não cessam é quase culpa das posições da China, que, nas palavras do jornal Xinhua é a seguinte: “a árvore sempre anseia a calma, mas o vento não cessa de soprar”. Uma coisa, porém, é certa: se os ventos de Washington aumentarem a intensidade, para a árvore chinesa não restará senão a alternativa de chicotear de volta. Tanto China quanto Rússia sabem quem o mundo inteiro anseia por calma, mas estão sendo forçados a perceber que, se a máquina de guerra dos Estados Unidos está fora de controle em uma onda expansionista de energia sem precedentes, procurando teimosamente pela dominação global.

O presidente Obama gaba-se de que os Estados Unidos “são a nação indispensável no cenário mundial” mas deveria ser aconselhado sabiamente para exercitar um pouco de cuidado em suas confrontações agressivas.

Resultado de imagem para napoleon bonaparte horseOs fazedores de guerra de Washington deveriam ouvir as palavras de Napoleão dois séculos atrás, quando ele entendeu que o dragão chinês estava acordando. Não é sábio cutucar o dragão quando ele já acordou. Aliás, deveriam ter cuidado também com os ursos.

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2 comentários:

  1. Como sempre excelente análise.Enquanto isso essa corrupta burguesia brasileira querem entregar nossos recursos estratégicos aos Eua

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  2. Como sempre excelente análise.Enquanto isso essa corrupta burguesia brasileira querem entregar nossos recursos estratégicos aos Eua

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