domingo, 5 de fevereiro de 2017

Conflito iminente com o Irã


por Pat Buchanan, tradução de btpsilveira

Fevereiro, 2017 – "Information Clearing House" – Quando o General Michael Flynn marchou garbosamente pela Casa Branca, até a Sala de Imprensa para declarar que “o Irã está oficialmente avisado”, ele desenhou uma linha vermelha para o Presidente Trump. No tweet sobre a ameaça, Trump concordou.


Ocorre que agora sua credibilidade subiu no telhado.

Afinal, o que disparou o ultimato virtual?

Flynn afirmou que o Irã está apoiando os rebeldes Houthis, que atacaram um navio de guerra saudita e Teerã teria testado um míssil, minando a “segurança, prosperidade e estabilidade através do oriente Médio”, colocando “vidas (norte)americanas em risco”.

E daí?

Os sauditas estão bombardeando os rebeldes Houthis e destruindo seu país, o Iêmen, já há dois anos. Será que eles deveriam ser protegidos contra qualquer retaliação em uma guerra que eles mesmos começaram?

Onde está, afinal, a evidência que o Irã teve qualquer papel desempenhado no ataque contra o navio saudita no Mar Vermelho? Por que o presidente Trump quer fazer dessa guerra a sua guerra?

Já em relação ao teste de mísseis, a resolução 2015 da ONU “solicita” que o Irã se abstenha de realizar testes com mísseis capazes de ataque nuclear. Não proíbe o Irã de testar mísseis convencionais, como o país insiste que é exatamente o caso.

Estarão os Estados Unidos fazendo exigências ao Irã que não constam de qualquer tratado ou Lei Internacional – só para provocar um confronto?

Flynn estaria já coordenado com nossos aliados sobre a ameaça de uma possível ação militar contra o Irã? Será que a OTAN está obrigada a se juntar a qualquer ação que tomarmos?

Ou estaremos executando seja lá qual for a retaliação sozinhos, enquanto nossos aliados da OTAN ficam de lado só olhando, e os israelenses, árabes do Golfo, sauditas e o Partido da Guerra de Beltway, que gostariam muito de se livrar de Trump ficam só provocando?

Bibi Netanyahu comemorou a declaração de Flynn, chamando os testes de mísseis do Irã de flagrante violação da resolução da ONU e declarando que “a agressão iraniana não pode ficar sem resposta”. Quem responderá, além de nós?

O rei saudita falou com Trump no domingo. Teria ele persuadido o presidente a fazer com que os EUA se envolvam mais fortemente contra o Irã?

O presidente do Comitê do Senado para Relações Externas, Bob Corker está entre aqueles deliciados com a ameaça da Casa Branca:

 “O Irã não tem mais permissão para suas violações repetidas de testes com mísseis balísticos, apoio contínuo ao terrorismo, abuso de direitos humanos e outras atividades que ameaçam a paz e a segurança internacionais”.

O problema de fazer uma ameaça pública – “o Irã está avisado” – é que isso torna quase impossível para Irã ou para Trump voltar atrás.

O Irã se vê quase obrigado a arrostar a ameaça, em especial a exigência de cessar os testes de mísseis convencionais para sua própria defesa.

Quase com certeza, essa ameaça feita pelos EUA servirão para fortalecer os iranianos que se opõem ao acordo nuclear e que querem ver seus arquitetos, o Presidente Hassan Rouhani e o Ministro de Relações Exteriores Mohammad Javad Zarif perderem as eleições deste ano.

Caso Rex Tillerson não queira se tornar um Secretário de Estado em tempos de guerra como Colin Powell ou Dean Rusk, terá que falar com os iranianos, mas não com declarações desafiadoras e sim com um diálogo diplomático.

Tillerson, claro, é aquele que, como se sabe, disse que os chineses seriam impedidos de visitar a meia dúzia de ilhotas fortificadas que estão construindo em rochas e recifes no Mar do Sul da China

Uma predição: os chineses não vão sair de suas ilhas, e os iranianos desafiarão a ameaça dos EUA sobre os testes de seus mísseis.

As declarações da Casa Branca de quarta feira fazem um embate com o Irã quase inevitável e uma guerra contra o Irã perfeitamente possível.

Por que diabos Trump e Flynn sentiram a necessidade de fazer isso agora?

Já há enormes problemas suficientes na política externa esperando pelo novo presidente em apenas duas semanas de sua administração, com os rebeldes na Ucrânia sofrendo ataques de artilharia novamente, e a ameaça nuclear da Coreia do Norte, que, ao contrário do Irã, é real e ainda está para ser resolvida.

Entre as principais razões pelas quais as pessoas votaram em Trump está o seu entendimento de que George W. Bush errou terrivelmente quando lançou uma guerra não provocada e desnecessária contra o Iraque.

Paralelamente com os 15 anos de Guerra no Afeganistão e as guerras na Líbia, Síria e Iêmen, as nossas guerras no Oriente Médio nos custaram trilhões de solares e milhares de mortes. Produziram ódio generalizado contra os EUA, aproveitado pela Al Qaeda e Estado Islâmico para recrutar jihadistas que matam e massacram ocidentais.

A maior conquista de Osama Bin Laden não foi derrubar as torres gêmeas, matando 3.000 (norte)americanos (embora hoje existam sérias e razoáveis dúvidas se foi mesmo Osama Bin Laden quem fez isso – NT) mas incitar os Estados Unidos a entrar de cabeça nos conflitos do Oriente Médio, uma aventura imprudente e custosa, que custou aos EUA a sua primazia global depois da guerra fria.

Trump parecia reconhecer isso, ao contrário de outros candidatos.

Pensava-se que ele poderia nos desconectar dessas guerras, não ficar sacudindo sabres contra o Irã, três vezes maior que o Iraque, e que tem como seu principal fornecedor de armas e aliado a Rússia de Vladimir Putin.

Quando Barak Obama riscou no chão da imprudência a sua linha vermelha contra o uso de armas químicas por Bashar Al Assad e este aparentemente a cruzou, Obama subitamente descobriu que seus compatriotas não queriam lutar a guerra que as suas ações militares poderiam desencadear.

Obama teve que voltar atrás, humilhado.

Hoje, nem o Aiatolá Khamenei nem Trump parecem ter disposição para voltar atrás, especialmente agora, que o presidente dos EUA tornou sua ameaça pública.

Patrick J. Buchanan  - é o autor de um novo livro: "The Greatest Comeback: How Richard Nixon Rose From Defeat to Create the New Majority." para saber mais sobre Patrick Buchanan e ler seus artigos visite o site www.creators.com 


Um comentário:

  1. Favor, traduzam esse texto para que todos possam ler esse belo artigo do Dimitri Orlov. http://cluborlov.blogspot.ru/2017/01/its-saudis-stupid.html#more

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