sábado, 11 de fevereiro de 2017

Why Trump Is Targeting IranPorque Trump quer atingir o Irã

Finian Cunningham, tradução de btpsilveira
As conexões entre um grupo exilado que é contra o Irã com os principais membros da administração Trump pode explicar porque o presidente dos Estados Unidos está adotando uma linha muito hostil com relação à República Islâmica, declarando-a como “o maior patrocinador do terrorismo” e disparando novas sanções contra Teerã.

O Conselheiro Nacional para a Segurança de Trump, Michael Flynn fez uma declaração inusitada na semana passada, afirmando, provocativamente, que “o Irã está avisado” quanto a futuras ações que não especificou, entre elas, as militares, referindo-se aos recentes testes com mísseis balísticos. Trump em pessoa reforçou a tese, menosprezando o Irã por estar alegadamente desestabilizando o Oriente Médio.
Isso leva à suspeita de que um grupo dissidente iraniano com ligações suspeitas com a inteligência de Israel e Arábia Saudita pode ter sussurrado algumas coisinhas no ouvido do presidente para influenciar suas políticas.
A recém nomeada Secretária de Transportes de Trump, Eliane Chao e pelo menos um dos principais assessores do presidente, antigo prefeito de Nova Iorque Rudi Giuliani foram convidados pelo grupo dissidente iraniano Mujahedin-eKhalk (MEK) como palestrantes convidados em comícios promovidos pela organização.
Outras grandes figuras políticas que fazem parte do círculo mais próximo do presidente e que também são associados ao MEK incluem o luminar do Partido Republicano, Newt Gingrich, o antigo diretor da CIA James Woolsey e o antigo embaixador dos EUA para as Nações Unidas, John Bolton.
Originalmente o MEK era uma insurgência armada contra a ditadura do Xá apoiado pelos Estados Unidos durante os anos 60. Mais tarde, caiu em desgraça com o governo islâmico clerical que governo o Irã desde 1979. As autoridades iranianas designaram o MEK como um grupo terrorista apoiado pelo estrangeiro. Calcula-se que tenha levado a efeito cerca de 17.000 assassinatos contra cidadãos iranianos nas tentativas de desestabilizar a República Islâmica. O homicídio dos cientistas nucleares iranianos nos anos recentes têm sido ligados às operações do MEK, orquestrado pela inteligência de (norte)americanos e israelenses. O estadista republicano Newt Gingrich, atualmente conselheiro de Trump para Política Externa, tem um pronunciamento que se tornou famoso, pedindo por mais assassinatos.
Já complicado o suficiente, considerando que as conexões do grupo com figuras centrais em Washington, o MEK foi também responsável pela morte de ao menos seis soldados (norte)americanos e subcontratados pelos militares dos EUA durante os anos 70, quando se opunha ao Xá apoiado pelos Estados Unidos. o MEK declara que desde então renunciou oficialmente ao uso da violência armada, desde 2001, e culpa um grupo dissidente pelos assassinatos de (norte)americanos. Foi tirado da lista de organizações terroristas em 2012 – movimento recomendado pelo think tank Brookings, baseado em Washington, o qual na época afirmou que o grupo poderia ser usado como ferramenta para a “troca de regime por procuração no Irã”.
De acordo com uma reportagem da Associated Press desta semana, a Secretária Eliane Chao recebeu $50.000 dólares por um discurso de cinco minutos que proferiu em 2015 em um comício em Paris, França, o qual foi organizado pelo braço político do MEK. Rudi Guiliani também estava presente no mesmo acontecimento, onde falou veementemente pedindo a mudança de regime no Irã.
Chao, que é casada com o Senador Republicano Mitch McConnel, ainda recebeu um numerário adicional de $17.500 dólares por um discurso feito em março de 2016, em outro comício, desta vez nos Estados Unidos, organizado por grupos iranianos dissidentes ligados ao MEK.
Trump chegou a pensar em Giuliani para o posto de Secretário de Estado, antes que o principal posto na diplomacia dos EUA fosse finalmente entregue para Rex Tillerson, antigo presidente executivo da Exxon Mobil. No mês passado, Giuliani e outros antigas autoridades (norte)americanas escreveram uma carta para Trump, pedindo que a nova administração “estabeleça um diálogo” com o braço político do MEK, relata a AP.
Esse fundo de lobby pode explicar porque a administração Trump está repentinamente tomando rumos hostis contra o Irã.
Conforme algumas reportagens na imprensa dos Estados Unidos, um dos motivos pode ter sido que a administração Trump está de fato tentando perturbar uma aliança entre Rússia, China e Irã. Até agora, parece que o gambito não ganhou tração. Tanto Rússia quanto China denunciaram as novas sanções impostas unilateralmente pelos EUA contra o Irã como contraproducentes para as relações internacionais.
Além disso, Moscou rejeitou igualmente as alegações dos Estados Unidos de que o Irã seria um Estado apoiador do terrorismo. O Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov disse que o Irã, ao contrário, foi um parceiro crucial na derrota do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.
Acrescente-se que a Rússia defendeu nesta semana, o direito soberano do Irã de desenvolver tecnologia militar defensiva e que o país não estava violando o acordo nuclear P5+1 de 2015 ao fazer testes balísticos no último mês. Nem teria desrespeitado as recomendações do Conselho de Segurança da ONU, disse Moscou, porque os mísseis em questão eram convencionais por natureza e não destinados a transportar armas nucleares. Por isso, consequentemente, o pretexto para o cerco hostil de Trump contra o Irã não faz sentido.
De relevância para os cálculos de Trump é a contribuição de Israel e Arábia Saudita – ambos países raivosos em suas acusações de que o Irã é uma influência maligna na região. Trump deve se encontrar com o Ministro israelense Benjamin Netanyahu quando este voar até Washington no final deste mês. A dupla já teve conversações por telefone nas quais se relata que discutiram a necessidade e de “conter o Irã”.
Consta que o Secretário de Defesa de Trump, James Mattis, que semana passada imputou ao Irã o título de “maior patrocinador do terrorismo do mundo”, estaria numa intensa troca de informações com o chefe militar da Arábia Saudita, príncipe Mohammed Bin Salman, quanto a assuntos de segurança regional, entre os quais mais uma vez “a necessidade de conter o Irã”. A Casa Wahhabi dos Sauditas vê o Irã, com sua forma de governo mais democrática através da Revolução Islâmica, como uma ameaça existencial para a dinastia que governa o país, alinhada a outras monarquias sunitas no Golfo Pérsico.
O establishment em Washington depende do eixo Arábia Saudita/Israel e da contenção belicosa que exercem sobra o Irã para manter sua hegemonia do petrodólar, sobre a qual repousa o alicerce de toda a sua sobrevivência econômica. Não importa o nome do ocupante da Casa Branca: a natureza das relações entre Estados Unidos, Arábia Saudita e Israel é simbiótica.
Uma das principais figuras da Casa de Saud, o príncipe Turki al Faisal, tio do atual Ministro da Defesa Príncipe Mohammed e ainda antigo chefe do serviço de inteligência saudita, também é um dos patronos do grupo dissidente MEK. Ele sempre discursa em comícios pedindo pela mudança de regime no Irã, de acordo com a AP.  É muito possível que a Casa de Saud seja um dos maiores financiadores do MEK, pois de outra forma é difícil explicar como o grupo exilado mantém escritórios na Europa e nos Estados Unidos, tendo em sua lista de convidados figuras políticas tão importantes.
A ligação com a inteligência militar israelense também parece consistente. As autoridades iranianas afirmam que os assassinatos levados a efeito por agentes do MEK foram possibilitados pelo Mossad israelense.
Aparentemente, Israel, Arábia Saudita e o grupo dissidente iraniano exilado MEK são os maiores influenciadores da política de Trump quanto ao Irã.
Com certeza o crescimento da animosidade beligerante da administração Trump sugere qie existe uma influenciação maliciosa.
Mas a dinâmica pessoal não pode ser descartada, desde que significante nesta questão. Trump tem se mostrado um amador ignorante (diletante and ignoramos, no original) em questões de política externa. Não lê livros, obtém suas informações através de notícias de TGV a cabo e parece confiar cegamente em conselheiros e seus detalhes nebulosos para formar o que chama de “política”. Ao ecoar as acusações de que o Irã seria “estado patrocinador do terrorismo”, dá a sugestão de que o presidente é dado a sucumbir ante influências malignas.
Sobre a questão iraniana, a mente de Trump está lotada de influências malignas.


http://www.strategic-culture.org/news/2017/02/11/why-trump-targeting-iran.html 

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