domingo, 12 de fevereiro de 2017

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Gen. Mattis "Mad Dog"
A administração Trump já acabou?

por Paul Craig Roberts

Esperemos que a administração Trump não esteja queimando feito palha. O chefe militar de Trump, Gen. Mattis, está a revelar ser verdade a sua alcunha de "cachorro louco" ("mad dog"). Ele acaba de declarar que o Irã "é o maior estado individual do mundo patrocinador de terrorismo". Declarou que a Rússia é a ameaça número um para os EUA. Ameaçou intervir nos assuntos territoriais da China. 


Eu estava errado. Pensei que o Gen. Mattis fosse uma escolha razoável já que rejeita a eficácia da tortura e, segundo Trump, convenceu-o de que "a tortura não funciona". Aparentemente Mattis não pode ir além desta percepção, rumo a percepções geopolíticas mais elevadas. Trump precisa despedir Mattis, que foi por ele colocado no Pentágono como meio de normalizar relações com a Rússia. 

Não há provas no comportamento do Irã, da Rússia e da China em apoio às visões do Gen. Mattis. A sua definição de ameaça é aquela dos neoconservadores – um país capaz de resistir à hegemonia (norte)americana. Isto [por si] constitui uma ameaça conveniente para o complexo militar/segurança pois justifica um orçamento ilimitado a fim de sobrepujar tais "ameaças". É este impulso hegemônico que é a fonte de terrorismo. 

Se é permitido dizer a verdade, há apenas dois países no mundo com aspirações hegemônicas – Israel e os EUA – e eles são as fontes do terrorismo. Israel aterroriza palestinos e tem feito isto durante cerca de 70 anos. Os EUA aterrorizam o resto do mundo. 

Todos sabem que terroristas muçulmanos são criações do governo (norte)americano. A Al Qaeda foi criada pela administração Carter a fim de confrontar a ocupação soviética do Afeganistão com o jihadismo. O Estado Islâmico foi criado pelo regime Obama/Hillary a fim de derrubar Kadafi na Líbia e depois enviado pelo regime Obama/Hillary à Síria para tentar derrubar o governo de Assad, como o conselheiro de segurança nacional de Trump, Gen. Flynn, ex-diretor da Defense Intelligence Agency, revelou na TV. A derrubada do governo democraticamente eleito da Ucrânia e o assalto dos neonazistas ucranianos às repúblicas de Donetsk e Lugansk foram também desencadeados pela dupla Obama/Hillary. Todo o terror está associado a Washington e Israel. 

A derrocada do governo da Ucrânia por Washington é fato incontestável; mas grande número de americanos que foram sujeitos de intensa lavagem cerebral pensam que a Rússia invadiu a Ucrânia, assim como acreditam nas falsas notícias de que o Irã é um estado terrorista.

A última vez que o Irã iniciou uma guerra de agressão foi na última década do século XIX quando reconquistou o Cáucaso e a Geórgia, os quais havia perdido para a Rússia.

O Irã nos nossos tempos não cometeu qualquer delito exceto recusar-se a ser um vassalo de Washington. 

Além disso, o Irã, e a Síria resgatada pelos russos, são os únicos estados no mundo muçulmano que não são fantoches e meros vassalos dos EUA já que os demais nada são por si próprios, nem independentes em política externa, nem independentes em política económica. Só o Irã e a Síria têm políticas independentes. 

O Irã é um grande país dotado de recursos energéticos substanciais. Tem uma longa história que remonta a tempos antigos de independência e proezas militares. Hoje o Irã é essencial para a Rússia como um amortecedor para o jihadismo criado pelos EUA que os neoconservadores planejam exportar para as áreas muçulmanas da Federação Russa. Consequentemente, o Irã é o mais inoportuno dos alvos para Trump se ele pretende restaurar relações normais, não ameaçadoras, com a Rússia. Mas o cachorro louco do seu chefe do Pentágono irresponsavelmente faz declarações ameaçadoras alegando ser o Irã um "estado terrorista". 

Será que vemos a mão de Israel a atuar nas ameaças contra o Irã? O Irã e a Síria são os únicos países no Médio Oriente que não são estados fantoches americanos. O exército da Síria tem sido temperado pelo combate, razão pela qual precisa de armas a fim de enfrentar Israel apoiado pelos EUA. Tanto a Síria como o Irã estão no caminho da política sionista do Grande Israel – desde o Nilo até o Eufrates. Para os sionistas, a Palestina e o Sul do Líbano são simplesmente o começo. 

Israel tem utilizado com êxito os corruptos britânicos e agora os corruptos americanos para restabelecer-se sobre terras das quais Deus a expulsou. Isto não é louvável para a inteligência e moralidade dos governos britânico e (norte)americano. Mas o que significa isso? 

Também ouvimos de Mattis e de Tillerson ameaças de intervir na esfera de influência da China. Os nomeados de Trump parecem ser incapazes de entender que não pode haver melhoria nas relações com a Rússia se o regime Trump tem o Irã e a China no seu alvo de mira. 

Haverá qualquer perspectiva de a administração Trump poder desenvolver consciência geopolítica? Será que a conversa áspera da administração Trump será suficientemente áspera para derrotar o poder que Israel sionista exerce sobre a política externa dos EUA e sobre os votos do Congresso?

Caso não seja, mais guerra é inevitável. 

Durante vinte e quatro anos – oito anos do criminoso regime Clinton, oito anos do criminoso regime Bush, oito anos do criminoso regime Obama – o mundo ouviu ameaças de Washington que resultaram na morte e destruição de milhões de pessoas e países inteiros. A administração Trump precisa apresentar ao mundo uma Washington diferente. 

Publicado originalmente no site http://resistir.info/eua/roberts_06fev17.html fizemos pequenas alterações para adaptação ao português do Brasil.


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