sábado, 18 de março de 2017

A verdade morreu
Da irritação à ameaça: o custo elevado da verdade.

por Paul Craig Roberts, tradução de btpsilveira

É preciso saber que o esforço de quem oferece seu tempo escasso e a energia de uma vida para um público grande e desconhecido é suficientemente apreciado para que se sinta compensado pelo gasto de tempo e energia. Isso é ainda mais verdade quando o compromisso vem associado a grandes despesas.
A resposta dos leitores ao pedido trimestral de doações mostrou que valho o suficiente para vocês e justifica a continuação de meus esforços.
Estou convencido de que os Estados Unidos e provavelmente todo o mundo ocidental, quer dizer, o Império (norte)Americano, entrou em uma era na qual não existe mais o respeito pela verdade, nas instituições privadas quanto públicas. Nós estamos vendo isso acontecer já há algum tempo. Volte no tempo até 03 de agosto de 2002, por exemplo, uma data recente nos termos desse problema, mas fora da consciência política de quem tem menos de 33 anos de idade. No verão de 2002, o mundo estava sendo preparado pela propaganda enganosa para uma invasão do Iraque pelos EUA. Em 03 de agosto desse ano, a prestigiosa publicação inglesa The Economist resumiu o consenso que estava sendo fabricado em apenas duas sentenças: “as escolhas honestas atualmente são desistir e ceder, ou remover Hussein antes que ele consiga sua bomba (nuclear). Mesmo sendo doloroso, nosso voto é pela guerra”.


Como Lewis Lapham, eu mesmo e outros perguntamos naquela época: que bomba? A única evidência sobre uma bomba foi fabricada e se sabia que era uma mentira. Os inspetores das Nações Unidas concluíram que as infames informações sobre Armas de Destruição em Massa foram criação da propaganda enganosa dos Estados Unidos. Mesmo o presidente George W. Bush tinha o conhecimento eventual de que o Iraque não tinha essas armas. O Secretário de Estado dos EUA Colin Powell disse que as mentiras que proferiu, enganado pelo regime Bush, falando nas Nações Unidas sobre as Armas de Destruição em Massa de Saddam Hussein são uma mancha em sua carreira.
Apesar do conhecimento de que a invasão do Iraque pelos EUA em 2003 foi baseada em uma mentira, as tropas dos Estados Unidos ali permaneceram até 2011, e tendo sido expulsos ou não, agora estão de volta ao Iraque. Nenhum desses fatos teve qualquer influência sobre a boa impressão que Washington e a imprensa tem sido si mesmos.
Indiferentes, Washington e sua mídia prostituta (presstitutes, no original, um neologismo criado por Paul Craig Roberts para a imprensa (norte)americana e intraduzível em português por ora  – NT) mentiram também sobre a Líbia e destruíram aquele país até então próspero. Mentiram ainda sobre o “uso por Assad de armas químicas contra seu próprio povo” e teriam destruído da mesma forma a Síria, se não fosse pela intervenção russa.
Bloqueados pela Rússia, Obama, Hillary e Victoria Nuland se voltaram contra a Rússia, agindo primeiro contra o governo eleito democraticamente na Ucrânia, que foi derrubado, fazendo com que os crimeus votassem quase unanimemente pela reintegração à Rússia. A seguir, o regime Obama e sua meretrizes na imprensa criaram uma falsa “invasão russa na Ucrânia”.
Essa acusação falsa, repetida indefinidamente ainda hoje pela imprensa prostituta ocidental, tornou-se a justificativa para sanções econômicas contra a Rússia, cuja implementação foi imposta pelos EUA aos seus vassalos europeus, inteiramente à custa deles mesmos, o que mostra o grau abjeto de covardia dos dirigentes europeus. Se Washington mandar: pule! O primeiro ministro britânico, a Chanceler Alemã e o presidente francês perguntarão apenas: “a que altura?”
Uma das razões que levaram Trump à Casa Branca foi seu compromisso com a normalização das relações com a Rússia e a reconsideração d continuação da OTAN, um quarto de século depois que a razão de sua existência cessou, com o colapso da União Soviética. O compromisso assumido por Trump constitui uma ameaça direta ao poder e aos lucros do complexo militar/industrial dos EUA, cujo orçamento de 1 trilhão de dólares requer uma ameaça de tal magnitude que só a Rússia pode fornecer.
Por consequência, a Rússia e seu presidente têm que ser demonizados. A propaganda enganosa (norte)americana e suas mentiras deslavadas espalham o medo da Rússia e de Putin através do Império (norte)americano. A resposta do Império para aqueles que confronta suas mentiras com os fatos é denunciar quem faz isso em nome da verdade como “agentes russos” ou “joguetes de Putin”.  O ódio da Rússia que tem sido inculcado profundamente na alma (norte)americana pelos Neocons e pela imprensa prostituta, acabou resultando em coisas como o senador Republicano John McCain, que representa o Arizona (para desgraça dos habitantes daquele estado), chamando o senador Republicano Rand Paul, que representa o Kentucky, em pleno salão do Senado de uma pessoa “que agora está trabalhando para Vladimir Putin” apenas porque Paul se opôs a fazer de Montenegro um membro da OTAN http://news.antiwar.com/2017/03/15/sen-john-mccain-rand-paul-is-working-for-vladimir-putin/


Quando este site foi incluído em uma lista de 200 sites da internet que seriam agentes/joguetes russos, por um grupo secreto e não revelado posteriormente chamado PropOrNot, fiquei imaginando de quem seria o dinheiro por trás dessa entidade mais escondida que uma operação e lavagem de dinheiro em ilhas fiscais. Fiz uma brincadeira com isso que divertiu muito os russos.
Como ninguém sabe o que ou quem é o PropOrNot, o site não tem qualquer credibilidade. Assim as forças em guerra buscaram a Biblioteca da Universidade de Harvard. O site da instituição postou algo que era essencialmente a lista do PropOrNot. Mas a Universidade de Harvard não disse se a lista foi verificada ou porque alguém deveria acreditar nela. A lista foi atribuída posteriormente a Melissa Zindars, uma professora assistente de comunicação e mídia de alguma instituição também não revelada. É uma lista, disse ela, usada nas aulas que ministra para ensinar os estudantes a evitar “notícias falsas e mentirosas”. Em outras palavras, a lista reflete apenas a sua própria ignorância e preconceitos.
Como bem notou um leitor, Melissa obteve toda a sua doutrinação através da imprensa prostituta (norte)americana, vassala da CIA: “”Leio/Ouço/Vejo largamente as fontes da mídia corporativa (The New York Times, The Washington Post, The Boston Globe, The Wall Street Journal, Forbes) bem como The Atlantic, National Public Radio e várias fontes locais e alternativas com perspectivas políticas diferentes (Verdade)”.
Conclusão: nós temos então que o mundo ocidental está sendo informado pela Harvard University Library que seus parâmetros para uma leitura segura foram baseados na ignorância e nos preconceitos de uma jovem. As leituras seguras são as mentiras da imprensa prostituta que serve à causa da guerra e do estado policialesco.
Quando você testemunha o nível de corrupção total daquela que se supõe ser uma das melhores universidades dos Estados Unidos, e que está montada na aprovação dos 24 anos de nada mais que mentiras dos últimos três presidentes deste país, os quais são todos responsáveis por ter matado e/ou deslocado milhões de pessoas em vários países, não tendo sido responsabilizados por nenhuma destas mortes, você não pode evitar a percepção de que para os Estados Unidos e seus estados vassalos, a VERDADE é uma coisa que tem que ser evitada  qualquer custo.
Quando Trump desabou sob a pressão e exonerou seu Assessor para a Segurança Nacional, General Flyyn, ele imprudentemente ratificou a acusação de que todos e qualquer um que pensem que seria uma coisa boa a normalização das relações com a outra grande potência nuclear no mundo são “agentes russo”, e que ser um “agente russo” significa que você é culpado de traição e merece ser barrado nas suas pretensões de ser o presidente dos Estados Unidos.
A consequência da remoção de Flyyn de seu gabinete foi capacitar as forças russófobas para definir como traição a vontade de normalizar as relações com a Rússia. Caso isso tivesse sido imposto aos presidentes dos EUA durante a primeira guerra fria, provavelmente a vida na Terra não existiria atualmente.
O que mais assusta nos Estados Unidos e na Europa não é apenas a ingenuidade e a displicência de uma grande porcentagem da população. O mais aterrorizante é a disposição da mídia, dos governos, do exército e de membros de organizações profissionais de mentir para proteger suas carreiras. Tente encontrar algum constrangimento, um pouquinho de vergonha entre os mentirosos cujas mentiras expõe a humanidade à aniquilação termo nuclear. Você não encontrará um sequer. Eles não querem nem saber. Querem mais é usar uma Mercedes e ter uma mansão por mais um ano.
Um dos melhores observadores da cena mundial, The Saker, disse que a Revolução Colorida que está sendo conduzida pelos neoconservadores, o Partido Democrata, a imprensa prostituta, os da esquerda/progressistas/liberais somados a alguns republicanos contra o Presidente Trump está “deslegitimando todo o processo (democrático) que levou Trump ao poder e sobre o qual os Estados Unidos foram construídos como sociedade” http://www.informationclearinghouse.info/46658.htm (já traduzido para o português AQUI). A CONSEQUência, diz o Saker, é que a “ilusão de democracia e do poder do povo” está sendo destrui´[ida não só dentro dos Estados Unidos, mas também no estrangeiro. O quadro propagandístico “Democracia (norte)Americana” está perdendo sua credibilidade. Á medida que a falsa pintura desaparece, o mesmo acontece com o poder apoiado na autoridade construída pela propaganda. O Saker pergunta: vamos passar por um horror sem fim ou encontrar um fim terrível?
Como bem disse George Orwell décadas atrás “em um tempo de mentira universal, dizer a verdade é um ato revolucionário”.
Mas a maneira que os criminosos que nos governam e a mídia prostituta que lhes pertence é diferente. Se você diz a verdade nos Estados Unidos ou você é um espalhador de notícias falsas ou talvez um traidor.
Enquanto vocês estiverem apoiando este site, nós vamos arrostar este estado de coisas e suas consequência. Quem sabe algum Neo (provável referência ao personagem Thomas A. Anderson, apelidado de  “Neo” do filme Matrix – NT) apareça?


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