sexta-feira, 24 de março de 2017

Hassan Nasrallah: Israel em pânico, enquanto o Eixo de Resistência triunfa

Discurso do Secretário Geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em 18 de março de 2017, por ocasião do dia da mulher, aniversário do nascimento de Fatima al-Zahra (a.s.)

Excerto da seção política do discurso – transcrição para o inglês feita por Sayed Hasan ( http://sayed7hasan.blogspot.fr ) – tradução para o português por btpsilveira
               



Hoje, ou melhor dizendo, estes dias, são na realidade uma oportunidade (especial), principalmente quando os eventos na Síria e a guerra lançada contra o país entram no sétimo ano. Seis anos se passaram, com todo o seu conteúdo em termos de sofrimento, guerras, conspirações, confrontos e sacrifícios de vidas humanas. Com o final do sexto ano e o início do sétimo, faremos uma breve pausa nesta ocasião, pois estes fatos estão na origem de nossas preocupações.


Seis anos atrás, ali estavam todos aqueles que se encontraram nos primeiros meses de conflito, as forças estatais, grandes potências, países regionais, 140, 130 ou 120 países que se reuniram sob o codinome de “Amigos da Síria”, que conspiraram, fazendo tudo o que podiam (contra a Síria). Eles apostaram que seriam capazes de conquistar a Síria em 2 ou 3 meses em 2011. Hoje, ao final do sexto ano, são obrigados a encarar a verdade dolorosa e sangrenta da derrota e do fracasso.  Depois de seis anos, aqueles imensos poderes, aqueles países poderosos e importantes do mundo e da região fracassaram, um fracasso amargo na conquista de seus objetivos.


Por seis anos, dezenas de bilhões de dólares de dinheiro árabe – a Turquia não gastou seu dinheiro, a França e o Reino Unido também não. Todo o dinheiro que financiou a guerra da Síria é dinheiro árabe. Este dinheiro poderia ter eliminado a pobreza em todo o mundo árabe. Poderia livrar a Somália e o Iêmen da fome. Poderia ter (re)construído as casas dos palestinos em Gaza. Poderia ter fortalecido os palestinos em Bayt-al-Maqdis em Al-Quds (Casa do Refúgio/Jerusalém – Bayt-al-Maqdis, localizada em Jerusalém, é a mesquita que ocupa o terceiro lugar em importância sagrada os muçulmanos, atrás apenas das mesquitas de Meca e de Medina – NT) Esse dinheiro poderia ter garantido centenas de milhares de oportunidades de trabalho para a juventude árabe desempregada. Poderia ter tirado da ignorância dezenas de milhões de homens e mulheres árabes, pois é sabido que infelizmente dezenas de milhões de homens e mulheres árabes são iletrados. Mas nem um só dólar foi gasto para resolver estes problemas, mas dezenas de bilhões de dólares de dinheiro árabe foi gasto na guerra da Síria, contra a Síria, seu regime, seu estado, seu exército e seu povo e contra o Eixo de Resistência dentro do país (o Eixo de Resistência a que alude o orador é a união entre Irã/Síria/Hezbollah, formado para lutar contra a expansão dos EUA e de Israel no mundo árabe – NT).


Dezenas, centenas de milhares de toneladas de armas e munição (foram mandadas para lá). Elas vieram com dezenas de milhares de combatentes do mundo inteiro, brancos, negros, morenos, vermelhos, amarelos, o que vocês quiserem. Não deixaram fora nenhuma cor, linguagem, tendência, raça, eles trouxeram combatentes de todos os pontos do mundo. Os (norte)americanos e seus aliados, conspiradores e financiadores ajudaram (mandando combatentes) e assim colocaram dentro da Síria milhares de lutadores para lutar contra a Síria na busca de um objetivo preciso: derrubar a Síria, expulsar dali o Eixo de Resistência e tomar controle do país. Tomar controle de sua decisões, sua soberania, seu povo e suas escolhas, dentro de seu próprio território, com sua posição estratégica no Mar Mediterrâneo (entre a Ásia) e Europa, e sua posição também estratégica na luta contra o inimigo israelense.


Hoje, o resultado é claro: fracasso, derrota e retirada.


Bem, permitam-me lembrá-los de algumas coisas no início deste sétimo ano de conflito, sobre início de tudo no primeiro ano. Não se pode negar que uma parte da população realmente queria reformas e a mudança de algumas realidades na Síria. Mas o que surgiu (em cena) com força e mudou tudo subitamente, foram as tropas takfiri, oriundas do mundo inteiro, e que se recusaram, já nas primeiras semanas, a travar qualquer diálogo político. Rejeitaram qualquer resultado político, não quiseram discutir nada, e suas escolhas foram definitivas: queriam e partiram para uma confrontação militar total e sangrenta. Formularam slogans sectários e reviveram querelas educacionais (religiosas), e já nas primeiras semanas, levantaram o véu de suas intenções hostis para com a resistência.


Bem, quem trouxe a organização Al Qaeda? Quando eles chegaram à Síria, qual era seu nome? O Estado Islâmico no Iraque. Acrescentaram então “e no Levante” (Síria). Daí houve uma divisão, os membros do Estado Islâmico no Iraque e no Levante se dividiram. Havia agora duas facções: o Daesh (Estado Islâmico) e a Frente Al Nusra. Mas na verdade eles todos são Al Qaeda, a qual está na lista dos (norte)americanos como entidade terrorista, assim como para o Conselho de Segurança da ONU, Arábia Saudita e Europa. E eles trouxeram dezenas de milhares de combatentes, aos quais eles mesmos chamavam de terroristas, lhes deram dinheiro e armas, abriram as fronteiras e os colocaram na Síria. Eles reconhecem que eles mesmos criaram (estes grupos), que eles criaram o Daesh (Estado Islâmico) para lutar contra a Resistência e contra o Eixo de Resistência.

Hoje a situação está muito diferente e não quero mais me deter neste ponto. Quero focar em elementos novos.


Antes de qualquer coisa, quero lembrar a vocês que no primeiro ano, a questão nem requeria tanta compreensão política assim, e que não havia então a necessidade real de fazer previsões e esperar (para ver). Qualquer um que tivesse estudado experiências contemporâneas no Afeganistão e em outros lugares poderia chegar às mesmas conclusões lógicas, como disse então nos primeiros meses, quando me dirigi à organização Al Qaeda e ao Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Daesh), à Frente Al Nusra que se separara deles. Na ocasião, disse a eles: “Vocês todos, de inúmeras nacionalidades, foram trazidos para a Síria onde foram reunidos. Vocês foram introduzidos na Síria – qualquer um pode agora checar isso, que aconteceu seus anos atrás – vocês foram trazidos para a Síria e serão usados como combatentes para atingir os objetivos almejados pelos (norte)americanos e israelenses na região e serão pressionados o tempo todo. Não importa se vão vencer ou perder. No final, vocês serão liquidados. Vocês serão coletados (como gado) para serem liquidados depois de usados. Vocês estão sendo usados... e é por isso que avisei vocês logo no início para terem cuidado e ficarem alertas, e não servir de madeira e combustível para o incêndio iniciado pelos Estados Unidos e Israel, assim como por alguns países regionais, contra os quais EUA e Israel também conspiram e que pagarão o preço no devido tempo. Mas o sectarismo, a burrice, a ignorância e a estupidez não lhes deram oportunidade (de lucidez).

Mas eles pensaram que eram muito espertos e que tinham instrumentalizado os Estados Unidos, Turquia e Arábia Saudita e todos os países do mundo, em particular o ocidente, que lhes permitiriam implementar seu próprio projeto na Síria. Colocaram no papel todos os seus projetos estratégicos. Isso foi o ápice de sua estupidez.


Qual é o cenário atual? Depois que, para o projeto (norte)americano na Síria o Daesh se tornou objeto de escândalo no ocidente, o Daesh vê seu fim chegar no Iraque – (é questão de) semanas, meses (mas), acabou. O Daesh não tem qualquer futuro político ou militar no Iraque. Da mesma forma na Síria, esse futuro também não existe mais. No máximo deixarão algumas células dormentes que levarão a cabo bombardeios suicidas, porque em última análise bombardeios suicidas alvejando civis em Bagdá, Tikrit, Damasco, Homs e seja onde for, reflete o fracasso militar e estratégico. Quando alguém decide mandar homens bombas para matar crianças, mulheres, para atingir restaurantes, transeuntes, escolas de crianças e estudantes, isso reflete fracasso estratégico e fracasso militar. São atos de vingança, não de combate. Este é o futuro do Daesh. Este também é o futuro da Al Nusra


Agora, o Daesh está sendo bombardeado pela coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, Inglaterra, Turquia, Jordânia, bem como pela Rússia e enfrentam ainda as forças que lhes dão combate na Síria. E a Al Nusra, que foi trazida (e apoiada) pelos (norte)americanos, pelos Turcos e por seus aliados no Golfo, essa mesma Al Nusra está agora sendo bombardeada em Idlib e a oeste de Alepo. Não foi isso que eu disse seis anos atrás? Agora, as vozes se levantam, de Idlib e oeste de Alepo contra os Estados Unidos, contra sua traição e hipocrisia. Você está dormindo tranquilo? Depois de ter destruído a Síria, depois de destruir o Iraque e o Iêmen, será que você finalmente acordou e entendeu? (Você percebeu a natureza da) traiçoeira e hipócrita América do Norte, que depois de ter usado vocês agora os massacra? Esta é a verdade.


E com isso, claro, Israel interfere a cada dia, sob vários pretextos. O pretexto de destruior armas que seriam endereçadas ao Hezbollah, como afirmaram ontem, por qualquer pretexto: que um morteiro atingiu o Golã (ocupado), etc., Israel intervém e bombardeia posições do exército sírio para proteger e ajudar ao Daesh e (outros) grupos terroristas. Hoje, quanto a esse projeto arrogante de ocupação, hegemonia e controle da Síria, declaro francamente a vocês que tem fracassado, e que a Síria está vencendo, mas ainda esperando pela grande e decisiva vitória. Como o resto das diversas facções, o Daesh desaparecerá. A Al Nusra desaparecerá. E o terrorismo takfiri também desaparecerá. É apenas uma questão de tempo.


Foram abandonados até pelo mundo que os apoiou, financiou, ajudou e assistiu e agora os despreza e bombardeia. Porque o feitiço virou contra o feiticeiro. Porque o mundo descobriu que a serpente que criou e alimentou em seu próprio seio (e lançou contra a Síria) tornou-se um perigo e um veneno contra seu criador, atacando Paris, Londres, Alemanha, Bélgica, a Turquia, os Estados Unidos, a Arábia Saudita, etc.


Qual é a situação atual do restante das facções da oposição síria? Não têm líder, não têm liderança, não têm uma frente unida, não têm projeto nacional, sequer sabem o que querem, estão divididos, perdidos e vagando entre embaixadas (estrangeiras) e serviços de segurança. Claro que ainda existe a aposta em personalidades patrióticas ou quadros da oposição que poderiam participar de uma solução política e de um diálogo para a reconstrução da Síria.


Hoje, na comemoração do nascimento da filha do Profeta de Deus (Fatima al-Zahra), a qual foi mandado ao mundo como uma bênção, permitam que eu me dirija aos que ainda lutam na Síria como inimigos, e que acreditam que estão lutando em nome do Islã, no front da comunidade (islâmica) e no front da pátria e que estão 100% errados. Permitam que eu apele a eles, que me dirija a eles e diga o seguinte: este projeto fracassou. Sua luta é vã e não levará a nada além de mais mortes, batalhas e destruição, massacres de ambos os lados, apenas para beneficiar os Estados Unidos e Israel.


Olhem, Netanyahu foi até Moscou para implorar. Por que? Ele foi até o presidente Putin para pedir, porque ele tem medo da derrota do Estado Islâmico (Daesh) na Síria. Para Putin – perdão, para Netanyahu, a derrota do Estado Islâmico representa uma vitória da Resistência e do Eixo de Resistência. Porque para Netanyahu, a derrota do Estado Islâmico (Daesh) na Síria é a derrota de um projeto que Israel apoia há seis anos. Daí, ele foi implorar a (Putin). Oh, o que você está fazendo com o Estado Islâmico (Daesh) vá mais devagar com ele! Se você destruir o Estado Islâmico, o que vai fazer a respeito do Irã, do Hezbollah, do Presidente Assad e o resto do Eixo de Resistência?


Vocês (lutadores do Estado Islâmico) não devem acreditar que vocês estão lutando para o Islã, pela comunidade ou pela mãe pátria. Entenda vocês ou não, estão lutando há seis anos pelos Estrados Unidos, por Israel e por aqueles que planejam matar vocês, prendê-los ou massacrá-los. Será que nem todo o sangue já derramado na Síria serviu para torna-los conscientes? Não foi o suficiente para que repensem as coisas? Peço a vocês que deponham suas armas, que parem de lutar, que aceitem um cessar fogo real, que cheguem a uma solução verdadeiramente humanitária e política, que deixem o lado da hipocrisia e fiquem ao lado do Islã, deixem Estados Unidos e Israel pelo lado da comunidade e deixem o lado do inimigo e passem para o lado da Resistência. Isso ainda é possível. Ainda é possível. (Peço a vocês) parem com a destruição. Seu projeto não tem futuro.


O Eixo de Resistência, e dissemos isso desde os primeiros dias, há seis anos, desde o início, nós declaramos que o Eixo de Resistência não seria derrotado na Síria, nem no Iraque nem no Iêmen, e não seria quebrado.  Agora, depois de seis anos, o Eixo de Resistência triunfa na Síria, e está triunfando no Iraque, enquanto no Iêmen continua inabalável e também triunfará, se Deus quiser, uma grande e decisiva vitória. Mas estas pessoas que lutam contra ele devem estar conscientes do que estão fazendo com suas vidas, seu sangue, seu futuro e sua vida após a morte, devem reconsiderar todas as suas ações sangrentas que ainda persistem, no Iraque, na Síria, no Iêmen e em outros lugares.


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