sábado, 26 de dezembro de 2015

Irã e Rússia seguem em frente com “novos acordos comerciais” para excluir o dólar (norte)americano – a desdolarização acelera.

por Timothy Alexander Guzman, Silent Crow News – http://silentcrownews.com/wordpress/?p=4501
tradução de btpsilveira

Não se trata apenas da busca de se apossar de seus recursos naturais a ameaça de guerra contra o Irã, ou de controle estratégico ou ainda de uma suposta proteção para Israel, mas também e principalmente trata-se do uso do dólar (norte)americano no comércio de petróleo. O Irã está seguindo avante para substituir os dólares (norte)americanos em seu comércio com a Rússia por Rials e Rublos russos.

Janeiro passado o Irã fez um movimento significativo para “parar de fazer acordos em dólares com países estrangeiros”.  De acordo com a agência RT News, “o Banco Central do Irã (CBI – Central Bank of Iran) comunicou: em trocas comerciais com países estrangeiros, o Irã usará outras moedas, entre as quais, o Yuan chinês, o euro, a Lira turca, o Rublo russo e o Won sul coreano”,  - foram as informações que Gholamali Kambay, vice presidente do CBI disponibilizou à agência estatal de notícias Tasnim. Delegados russos e iranianos tiveram um encontro para discutir novos acordos comerciais. O jornal Iran Daily acaba de publicar uma reportagem informando que o Irã e a Rússia estão em pleno processo de “criar uma conta bancária conjunta para facilitar o comércio entre os dois países em suas próprias moedas”.
Resultado de imagem para Iran Central BankO diretor do Banco Central do Irã, Valiollah Seif, salientou a importância de conectar os dois setores bancários para impulsionar o comércio entre Rússia e Irã. Seif disse que uma comissão especial é necessária para superar quaisquer obstáculos (sanções dos Estados Unidos) e para providenciar linhas de crédito. O Iran Daily noriciou que o embaixador do Irã disse em janeiro sobre o comércio entre Irã e Rússia em suas próprias moedas:
O embaixador do Irã para a Rússia, Mehdi Sanaei, disse em janeiro passado que Teerã e Moscou estão trabalhando em um plano para a mudar para as próprias moedas nacionais os pagamentos de seu comércio bilateral e para isso os dois países devem criar um Banco comum ou pelo menos uma conta conjunta. “Os dois lados têm planos de criar um Banco comum, ou uma conta conjunta, então, os pagamentos tanto poderão ser feitos em Rials quanto em Rublos e há um acordo para criar um grupo de trabalho [para isso]”, disse Sanaei.
Em março passado, o Irã e a Rússia assinaram um acordo para criar em conjunto um comitê regulador para “supervisionar as transações financeiras interbancos entre os dois países”. O resultado positivo de tais acordos é evitar quaisquer futuras sanções que Washington e seus aliados de compadrio possam desfechar como armas financeiras contra seus adversários. O jornal Iran Daily concluiu que esse acordo pode resultar, no longo prazo:
O acordo – que foi assinado entre os bancos centrais do Irã e da Rússia – pode levar os dois países um passo mais perto do estabelecimento de um promissor banco conjunto – o qual acredita-se que tenha sido pensado especificamente para evitar os efeitos de sanções lideradas pelos Estados Unidos contra os dois países.
Resultado de imagem para Bashar al Assad
É por isso que Washington está desesperada para derrubar o governo de Assad e consequentemente enfraquecer a influência do Irã na região. Se Assad for removido com sucesso, Israel poderá se concentrar no Hezbollah, com um ataque de força total. Se a Síria e o Hezbollah forem derrotados militarmente, então o Irã poderia ver-se ameaçado com uma guerra em que teria que enfrentar ao mesmo tempo Israel e os Estados Unidos com a possibilidade do uso de armas nucleares, principalmente se Hillary Clinton ou um dos principais candidatos do Partido Republicano vier a se tornar presidente. Com certeza, o Irã está deixando Washington à beira de um ataque de nervos.
A Guerra monetária contra os países produtores de petróleo: Iraque, Venezuela e Líbia.
O Iraque, a Venezuela e a Líbia tentaram excluir o dólar (norte)americano de seu comércio de petróleo mas deram de cara com a resistência de Washington. Antes da invasão do Iraque em 2003, Saddam Hussein (antigo aliado dos Estados Unidos) decidiu que queria usar euros no lugar de dólares em suas transações com petróleo. Esta foi a real e principal razão pela qual o regime de Bush queria remover Saddan Hussein, e não porque estaria fabricando “armas de destruição em massa” [Weapons of Mass Destruction (WMDs)], conto da carochinha publicado no jornal “The New York Times” com autoria de Judith Miller e que serviu como justificativa para a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, operação esta também conhecida como “Operação Iraque Livre”.


Resultado de imagem para Hugo ChavezO governo (norte)Americano e as grandes companhias de petróleo controlam o mercado internacional de petróleo usando o dólar como moeda “fiat” no comércio internacional de moedas, mas o presidente do Iraque, Saddam Hussein, desafiou os Estados Unidos e mesmo a supremacia do dólar ao pretender substituí-lo pelo Euro. Em 2006, o antigo congressista do Texas, Ron Paul, explicou os reais motivos de Washington por trás de suas mentiras deslavadas sobre armas de destruição em massa contra o Iraque e a tentativa de golpe contra o presidente venezuelano Hugo Chavez pelo regime de Bush, tudo por causa da predominância do dólar (norte)americano frente a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos:
Em novembro do ano de 2000 Saddam Hussein começou a exigir pagamento em Euros pelo seu petróleo. Sua arrogância era uma ameaça ao dólar; a fraqueza militar do regime de Hussein nunca representou qualquer ameaça. No primeiro encontro de gabinete com a nova administração em 2001, como relatado pelo Secretário do Tesouro Paul O’Neill, o principal tópico discutido foi a forma pela qual nos livraríamos de Saddan Hussein – apesar de nunca ter havido qualquer evidência de que ele representasse uma ameaça para nós. A preocupação intensa com Saddan Hussein deixou O’Neill surpreso e chocado.

Atualmente, é de conhecimento de todos que a reação imediata da administração logo após 9/11 foi descobrir como poderia Saddan Hussein ser conectado aos acontecimentos trágicos daquele dia, para justificar uma invasão e derrubar o seu governo. Mesmo sem nenhuma evidência de qualquer conexão com 9/11, ou mesmo evidência de armas de destruição em massa, obteve-se o apoio do público e do Congresso através de uma distorção avassaladora dos fatos para justificar a derrubada de Saddan do governo.

Uma das razões principais da invasão do Iraque foi a decisão de Saddan Hussein de eliminar o dólar dos Estados Unidos, substituindo-o pelo Euro nas vendas de petróleo do país, mas isso não parou aqui. Ron Paul também mencionou a Venezuela quando do governo e liderança do Presidente Hugo Chaves naquela época:
Em 2001, o embaixador da Venezuela para a Rússia falou da transição que a Venezuela pretendia fazer do dólar para o Euro para todas as suas vendas de petróleo. Dentro de um ano houve uma tentativa de golpe de Estado contra Chavez, a qual se afirma que contou com a ajuda da CIA. Depois destas tentativas de substituir o dólar pelo Euro como moeda de reserva mundial e da resistência violenta oposta por Washington, a forte queda do dólar frente ao Euro foi revertida. Estes acontecimentos podem muito bem ter um papel importante na manutenção do dólar como moeda dominante.
O Irã é há muito tempo um alvo para a mudança de regime. No entanto, com a Rússia e a China no quadro parece “muito pouco provável” que isso aconteça. A Rússia e a China são os maiores obstáculos para os planejadores de guerras do Pentágono. Os Estados Unidos, no entanto, tem esperança que o Estado Islâmico possa criar ainda mais caos na região, permitindo que o EI alveje o Irã dentro de suas fronteiras, mas isso será um tiro no escuro. O Irã está liderando no Oriente Médio o processo de mudança para substituir o dólar por outras moedas e Washington entrou em pânico. A Síria, o Hezbollah e a Rússia também estão a caminho para tirar do dólar sua posição de dominância.
Resultado de imagem para KaddafiA cada vez que um país qualquer pretender substituir o dólar, os Estados Unidos vão para a guerra e isso acontece cada vez mais. Washington quer fazer do Irã um exemplo para o mundo do que pode acontecer se você quiser abandonar o dólar como sua moeda de reserva, como aconteceu com o Iraque, a Venezuela e mesmo a Líbia. Os planos do presidente Muammar Kaddafi de criar uma moeda comum africana lastreada por ouro, desbancando assim o dólar e o Euro para o comércio de petróleo africano e talvez outras transações comerciais foi a razão pela qual Washington determinou aos seus títeres europeus e às forças EUA/OTAN que removessem Kaddafi do poder.
Poderá Washington forçar o Irã a usar o dólar como moeda para suas transações comerciais com a ameaça de guerra? Com grandes potências apoiando o Irã, essa tarefa parece impossível. Quanto mais os países abandonarem o dólar dos Estados Unidos, mais o seu “valor de troca” cairá, o que resultará em um dólar mais fraco. Habitualmente, quando os países exigem uma determinada moeda para seus mercados de trocas externas, o valor dessa moeda em particular tende a subir.
Será que a máquina de guerra dos Estados Unidos tentará forçar os países como o Irã a continuar a usar dólares para o seu comércio de petróleo mantendo assim o dólar à tona? Temos então uma “moeda de guerra” que está sendo abandonada pelo Irã e pela Rússia. Quem pode culpá-los? Foi Washington que começou com essa guerra econômica ao detonar suas sanções contra o Irã e a Rússia porque eles não aceitavam humildemente cumprir as normas impostas pelo poder imperial que pretende fazer as regras que todos são obrigados a seguir. Agora, o Irã e a Rússia terminaram por expulsar o dólar de suas transações de negócios, uma solução que era esperada há longo tempo.


Timothy Alexander Guzman

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