segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Porque a Terceira Guerra Mundial está próxima

Resultado de imagem para Paul Craig RobertsPaul Craig Roberts
tradução: mberublue

O colapso da União Soviética em 1991 deu origem à perigosa ideologia (norte)americana chamada neoconservadorismo. A União Soviética servia como uma espécie de muro de contenção para as ações unilaterais dos Estados Unidos. Com a remoção dessa contenção contra Washington os neoconservadores declararam sua agenda para a hegemonia (norte)americana. A América do Norte seria agora a “única superpotência”, a “unipotência” que poderia agir sem restrições em qualquer lugar do mundo.

O jornalista neoconservador Charles Krauthammer, do The Washington Post resumia desta maneira a “nova realidade”:
 “Temos um poder global esmagador. Fomos designados historicamente como guardiões do sistema internacional. Quando a União Soviética caiu, algo novo nasceu, algo absolutamente novo – um mundo unipolar dominado por uma potência unitária não limitada por nenhum rival e com um alcance decisivo em qualquer parte do planeta. Trata-se de um desenvolvimento histórico impressionante, não visto desde a queda de Roma. Mesmo Roma não é modelo para o que são hoje os Estados Unidos”.
O impressionante poder unipolar que a história deu a Washington deveria ser protegido q qualquer custo. Em 1992 o funcionário do Pentágono, subsecretário Paul Wolfowitz, escreveu a Doutrina Wolfowitz, que viria a se tornar a base da política externa de Washington.
A Doutrina Wolfowitz estabelece que o “primeiro objetivo” da política externa dos Estados Unidos é “precaver-se contra o ressurgimento (ou surgimento) de um novo rival, seja no território da antiga União Soviética ou em qualquer outra região do globo, que possa representar uma ameaça [para as ações unilaterais dos EUA] na forma antes representada pela União Soviética. Esta consideração deve ser dominante na nova estratégia de defesa regional e requer esforço no sentido de evitar a emergência de qualquer potência hostil que venha a dominar uma região com recursos aptos para, sob controle consolidado, revelarem-se suficientes para a geração de um poder global” (“Potência Hostil” é qualquer país forte o suficiente para ter uma política externa independente dos ditames de Washington).
A afirmativa do poder unilateral (norte)americano começou a ser levada a sério durante o regime Clinton com as intervenções da Iugoslávia, Sérvia, no Kosovo e na imposição e uma zona de exclusão aérea contra o Iraque. Em 1997 os neoconservadores escreveram seu “Projeto para um Novo Século (norte)Americano”. Em 1998, três anos antes dos acontecimentos de 9/11, os neoconservadores enviaram uma carta ao Presidente Clinton exigindo uma mudança de regime no Iraque e “a remoção de Saddam Hussein do poder”. Lançaram ainda seu programa para remover sete governantes em cinco anos. http://www.globalresearch.ca/we-re-going-to-take-out-7-countries-in-5-years-iraq-syria-lebanon-libya-somalia-sudan-iran/5166

Acordou-se que os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 seriam apresentados para o público como se fossem “um novo Pearl Harbour”, o que os neoconservadores achavam necessário para que pudessem lançar suas guerras de conquista no Oriente Médio. O primeiro Secretário de Tesouro do Presidente George W. Bush, Paul O’Neil, declarou publicamente que o primeiro assunto na agenda do primeiro encontro em seu gabinete foi a invasão do Iraque. Esta invasão foi planejada antes de 9/11. Desde 9/11 Washington já destruiu no todo ou em parte oito países e agora está em confronto com a Rússia tanto na Síria quanto na Ucrânia.
A Rússia não pode permitir que um califado jihadista seja estabelecido na área que compreende a Síria e o Iraque, porque isso se tornaria uma base para a exportação de desestabilização para as porções muçulmanas da Federação Russa. O próprio Henry Kissinger declarou este fato, o qual é claro o suficiente para quem quer que tenha um cérebro. No entanto os fanáticos neoconservadores insanos no poder que controlaram Clinton e Bush e controlam agora o regime de Obama, estão tão imbuídos em sua própria soberba e arrogância que se prepararam para provocar a Rússia a ponto de ter o seu fantoche turco derrubado um avião russo e manobraram para expulsar do poder o presidente democraticamente eleito na Ucrânia, que tinha boas relações com a Rússia, substituindo-o por um títere do governo (norte)americano.
Com este pano de fundo podemos entender quão perigosa é a situação pela qual passa o mundo por causa da arrogante política neoconservadora para a hegemonia mundial dos Estados Unidos. As falhas de julgamento e os perigos nos conflitos da Síria e da Ucrânia são em si mesmos consequências da ideologia neoconservadora.
Para perpetuar a hegemonia (norte)americana os neoconservadores ignoraram as garantias dadas por Washington a Gorbachev de que a OTAN não se moveria sequer uma polegada para o Leste. Os neoconservadores tiraram os Estados Unidos do Tratado ABM, que especificava que nem os Estados Unidos nem a Rússia deveriam desenvolver ou instalar mísseis antibalísticos. Os neoconservadores reescreveram a doutrina de guerra dos Estados Unidos e elevaram o papel das armas nucleares de uma força retaliatória para uma força de primeiro ataque preventivo. Os neoconservadores começaram a instalar bases ABM nas fronteiras russas, afirmando que estas bases tinham o objetivo de proteger a Europa de uma inexistente ameaça nuclear de ICBMs iranianos.
A Rússia e seu presidente Vladimir Putin estão sendo demonizados pelos neoconservadores e seus fantoches no governo (norte)americano e na mídia. Por exemplo: Hillary Clinton, candidata a candidata à presidência pelo Partido Democrata chamou Putin de “o novo Hitler”. Um antigo agente da CIA clama pelo assassinato de Putin. Os candidatos presidenciais de ambos os partidos estão competindo para verificar quem consegue ser mais agressivo contra a Rússia e quem consegue insultar o presidente da Rússia mais fortemente.
O efeito foi a destruição da verdade entre as potências nucleares. O governo russo aprendeu que Washington não respeita nem as próprias leis, muito menos as leis internacionais e que não se pode confiar em Washington quanto ao cumprimento de qualquer acordo. Esse descompromisso com a verdade, juntamente com a agressão contínua vomitada por Washington e sua mídia prostituta, estupidamente repetida pelos idiotas nas capitais europeias, prepararam o terreno para uma guerra nuclear. Como não há possibilidade de a OTAN (na realidade os EUA) derrotar a Rússia em uma guerra convencional, e muito menos uma aliança entre China e Rússia resta apenas a opção de uma guerra nuclear. A guerra será nuclear.

Para evitar a Guerra, Putin é não provocativo e moderado em suas respostas às provocações ocidentais. O comportamento responsável de Putin, no entanto, é erroneamente interpretado pelos neoconservadores como um sinal de fraqueza ou medo. Assim, eles pressionam o presidente Obama para que ele coloque cada vez mais pressão sobre a Rússia, que a Rússia cederá. No entanto, Putin tornou muito claro que a Rússia não fará isso. Esta mensagem foi enviada por Putin em várias ocasiões. Por exemplo, em 28 de setembro de 2015, por ocasião do 70º aniversário da fundação das Nações Unidas, Putin disse que a Rússia não poderia mais tolerar o estado de coisas no mundo. Dois dias depois, ordenou a guerra contra o Estado Islâmico na Síria.
Os governantes europeus, especialmente da Alemanha e do Reino Unido, são cúmplices nesta movimentação em direção à guerra nuclear. Aqueles dois estados vassalos facilitam a imprudente agressividade de Washington contra a Rússia ao repetir a propaganda enganosa de Washington e apoiando as sanções impostas pelos Estados Unidos contra outros países. Enquanto a Europa continuar sendo nada mais que lima extensão de Washington, a perspectiva do Armagedom continuará a crescer.
Por estas Alturas, uma Guerra nuclear somente poderá ser evitada de duas maneiras. Uma delas é que a Rússia e a China rendam-se incondicionalmente e aceitem a hegemonia de Washington. A outra é que de repente um líder independente da Alemanha, do Reino Unido ou da França esteja à altura de seu gabinete e se retire da OTAN. Isto poderia dar início a uma debandada de países a deixar a OTAN, que é a principal ferramenta de Washington para causar conflitos contra a Rússia e, consequentemente a força mais perigosa no mundo para qualquer país europeu e para o mundo inteiro. Se a OTAN continuar a existir, esta organização, juntamente com a ideologia neoconservadora da hegemonia (norte)americana tornarão a guerra nuclear inevitável.

Paul Craig Roberts - (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street JournalBusiness Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.


Nenhum comentário:

Postar um comentário