sábado, 13 de fevereiro de 2016

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Começou a corrida para Raqqa – a Síria precisa vencer para manter o país unido

por Moon Of Alabama
tradução: btpsilveira

Fevereiro de 2016 "Information Clearing House" - "Moon Of Alabama" – A corrida para Raqqa começou. A Síria e seus aliados competem com os Estados Unidos e seus aliados quem tomará a cidade das mãos do Estado Islâmico.

Situada na região oriental da Síria, Raqqa está nas mãos do Estado Islâmico, bem como outras cidades ao longo do rio Eufrates, em direção ao Iraque. Derrotar o Estado Islâmico em Raqqa, Deir Ezzor e outras cidades no leste da Síria, liberando-as das garras do EI, é o objetivo declarado de todos os supostos inimigos daquela organização terrorista, mas a questão não é simples e deve ser analisada em um contexto mais amplo.


Caso os Estados Unidos e seus aliados consigam capturar Raqqa e Deir Ezzor, juntamente com outras partes do leste da Síria, poderiam usar o fato como moeda de troca para qualquer futura negociação sobre o poder na Síria, bem como o futuro de seus aliados no país. Como alternativa, criar-se-ia um Estado Sunita no leste da Síria e oeste do Iraque. A cidade de Mosul passaria a fazer parte desse Estado Sunita e provavelmente colocado sob a tutela da Turquia. Há algum tempo surgiram planos dos Estados Unidos no sentido de criar um "Sunistão" na região com uma revisão das fronteiras Sykes-Picot.

A manutenção da unidade da Síria, por sua vez, é o objetivo principal da Síria e de seus aliados. Seria uma perda de proporções cataclísmicas deixar que Raqqa e os campos de petróleo do leste do país passem para as mãos dos Estados Unidos. Consequentemente, a Síria e seus aliados devem vencer os Estados Unidos e seus aliados na corrida para Raqqa e toda a região oriental do país.

De acordo com o site Southfront a Síria acaba de fazer o primeiro movimento. Uma brigada do Exército Árabe Sírio atacou posições do Estado Islâmico a partir de Ithriyah para a estrada de Raqqa. Houve a tomada da cidade de Tal Abu Zayhn, como direcionamento para o primeiro dos principais objetivos, o aeroporto militar de Tabaqah. Forças adicionais de apoio de vários grupos aliados estão se reunindo em Ithriyah para reforçar o ataque em seguida.

Ainda está em preparação a movimentação dos Estados Unidos para o leste da Síria. Inicialmente, os EUA queriam usar as forças curdas do YPG no nordeste sírio. Essas forças foram denominadas Forças Democráticas Sírias depois de atacar alguns lutadores de Tribos Árabes. Poderiam então ter atacado Raqqa a partir do norte, mas os curdos não têm interesse em invadir terras árabes que não poderão manter. Seu objetivo é conectar-se ao enclave curdo no noroeste da Síria, ao longo da fronteira turca.

Agora, os Estados Unidos querem colocar em prática um novo plano. Deste plano se sabe apenas alguns esboços e as informações a seguir são apenas especulações baseadas em informações escassas.

Os Estados Unidos aumentaram a extensão da pista do aeroporto agrícola de Rumeilan/Abu Hajar (mapa) na área controlada pelos curdos no noroeste da Síria, para ser capaz de fornecer suprimentos e apoio a uma operação de larga escala na região:

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C130
O local foi escolhido porque está a apenas 160 km das linhas de frente do Estado Islâmico e seus lucrativos campos de petróleo, e ao mesmo tempo, bem dentro do território controlado pelos lutadores curdos do YPG. A pista praticamente dobrará sua extensão, passando de 700 para 1320 metros, o suficiente, consta, para receber aviões de transporte C130. Um anexo para estacionamento também está sendo construído.

Fala-se que algumas forças operacionais especiais dos Estados Unidos já estariam atuando na região. Seria a vanguarda de uma missão de reconhecimento.

Os Estados Unidos anunciaram publicamente de que uma brigada da sua 101ª Divisão Aerotransportada deveria chegar ao Iraque para treinamento, aconselhamento e assistência às forças iraquianas para um ataque contra Mosul.

Cerca de 1.800 soldados originários do Quartel General da 101ª e seu grupo de combate da 2ª Brigada deverão ser transportados até Bagdá e depois para Irbil, para treinar e fornecer aconselhamento militar para o Exército Iraquiano e as forças curdas peshmerga, dos quais se espera que nos próximos meses devem se mover para Mosul, o quartel general de fato do Estado Islâmico no Iraque.

Porém o Coronel Pat. Lang disse que duas brigadas da 101ª deverão ser deslocadas:

Fui informado hoje que duas brigadas da 101ª Divisão Aerotransportada estão indo para o Iraque, não apenas uma. Provavelmente, isto foi informado ao gigante saudita.

O “colosso” saudita recentemente anunciou sua pretensão de enviar tropas para a Síria. Ninguém estava levando a sério, mas agora isso começa a fazer sentido. Hoje os sauditas confirmaram sua intenção:

O porta voz militar saudita anunciou na quinta feira que a decisão de enviar tropas para a Síria como tentativa de consolidar e reforçar esforços contra militantes é “final” e “irreversível”.

O Brigadeiro General Ahmed Al-Assiri disse que Riad está “pronto” e deverá lutar ao lado da coalizão liderada pelos Estados Unidos para derrotar o Estado Islâmico na Síria, asseverando no entanto que os EUA são mais indicados para responder a quaisquer questões sobre as futuras operação no campo de batalha.
...
A declaração veio na sequência de uma visita feita pelo vice príncipe coroado e Ministro da Defesa Mohammed bin Salman ao quartel general da OTAN em Bruxelas para discutir a guerra civil na Síria.

Os sauditas lutariam sob controle de uma brigada da 101ª que alegadamente não iria para Mosul. Os sauditas seriam transportados desde a Arábia Saudita para uma pista de pouso no oeste do Iraque em direção à Síria, enquanto outra brigada da 101ª provavelmente seria implementada a partir da área controlada pelos curdos no norte iraniano através das áreas curdas no noroeste da Síria em direção a Raqqa. Dessa maneira, Raqqa poderia ser atacada ao mesmo tempo por forças que viriam do noroeste e do sudeste. O aeroporto de Rumeilan/AbuHajar seria a principal base para o fornecimento de suprimentos.

Movimento de forças dessa magnitude seria enorme e as distâncias a serem percorridas seriam longas. No entanto, a maior parte da área é desértica e uma força motorizada poderia cobrir as distâncias a transpor em um dia ou dois. Assim, as tropas sauditas seriam colocadas na Síria e se eles tomassem Raqqa ou Deir Ezzor e seus campos de petróleo e depois disso JAMAIS iriam deixar o local a menos que a Síria se submetesse às exigências sauditas de instalação de um governo islâmico.

O plano pode funcionar, mas também desencadearia uma grande mobilização de forças xiitas, o que pode levar a um conflito de gigantescas proporções. O primeiro ministro russo Medvedev alertou hoje (ontem) que a presença de forças sauditas dentro da Síria levaria a uma guerra de proporções muito maiores.

A operação dos sauditas, conforme declarado, deve começar dentro de dois meses. As forças do governo sírio e de seus aliados agora têm que correr para o leste, a fim de manter a unidade do país. Os Estados Unidos por sua vez, vai querer criar obstáculos ao avanço sírio por quaisquer meios que disponha – talvez até – através de alguns “bombardeios errados”.

A corrida para Raqqa e para o futuro da Síria já começou.

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Um comentário:

  1. Olá! Boa noite a todos... Uma Brilhante Análise apresentada, Moon Of Alabama, parabéns e muito obrigado pelos esclarecimentos...

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