sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016


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Crise dos Refugiados na UE: Parem as guerras ilegais e não culpem as vítimas

por Finian Cunningham
tradução: Sonsatel


28 janeiro de 2016 "Information Clearing House" - "RT" –  A Europa está em um declive perigoso e escorregadio, aumentando a xenofobia e o racismo causado pelo afluxo de refugiados. A nova lei de confisco da Dinamarca é sinal do clima taciturno e funesto.


Mas a verdadeira resposta para o problema é combater o apoio da Europa para as guerras criminosas de Washington.

Em outras palavras, os cidadãos da Europa devem enfrentar a raiz do problema, e não reagir aos sintomas. Deveríamos estar envergonhando os vilões, não culpando as vítimas.

Devemos exigir sanções legais e julgamento para os líderes do governo por causa de graves violações do direito internacional.

Os governos europeus são acusados ​​de crimes de guerra, contudo permitimos que escapem das acusações de  assassinatos em massa. Então, quando nós incorremos em problemas secundários, como a deslocação maciça de refugiados de guerras e conflitos - que os nossos governos têm fomentado – nós, ilógica e covardemente, nos concentramos em culpar as vítimas da criminalidade dos nossos governos.

Parte da vergonha pública dos vilões envolveria participação dos membros europeus da aliança militar OTAN liderada pelos EUA – responsável perante o direito internacional. Cada governo e líderes militares deviam ser processados por crimes de guerra e crimes contra a paz. As provas incriminatórias estão por todo lado. O fato de que os governos europeus têm travado guerras duvidosas no exterior – impunemente- é a verdadeira vergonha e a raiz do problema.

Guerras na antiga Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria e Ucrânia, bem como drones  assassinos no Paquistão, Somália e Iêmen, além de operações militares secretas no Mali, no Níger e Costa do Marfim todas tem a cumplicidade de Estados-Membros europeus. Grã-Bretanha e a França em particular têm sido mais ativas na realização de intervenções militares da OTAN, liderada pelos EUA, sejam as evidentes, sejam as secretas, como na Líbia e a Síria, respectivamente.
Os incontáveis ​​milhões de pessoas deslocadas em toda a Ásia Central, Oriente Médio e África são resultado direto do militarismo Europeu, em conjunto com Washington. Mesmo a intervenção francesa no Mali e República Centro-Africana são questionáveis ​​sob a lei internacional. Ambos foram lançados sem resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Nos últimos cinco anos, a Líbia representa talvez o caso mais notório da guerra ilegal conduzida pela OTAN e os seus membros europeus, incluindo a Noruega, Dinamarca, Holanda, Itália, além da Grã-Bretanha e França. Juntamente com os EUA, esses países violaram o mandato da ONU por bombardear o país mais próspero e estável da África em uma balbúrdia sangrenta. Milhares de civis foram mortos nos sete meses de blitzkrieg (ataque-relâmpago) EUA-UE, que culminou com o assassinato brutal do líder Muammar Gaddafi.

Líbia foi saqueada até se tornar um Estado falido, percorrida por grupos extremistas ilegalmente armados, e os autores dessa descida à barbárie foram os governos europeus. Onde estão os pedidos de justiça para esses crimes atrozes na chamada Europa civilizada, cumpridora da lei, ganhadora do prêmio Nobel?

No entanto, na semana passada, chefes militares americanos e europeus estavam convocando uma intervenção militar ainda maior na Líbia e na Síria. Esta declaração de intervenção militar - independentemente de seu objetivo de "combater o terrorismo" - é em si mesmo ato de agressão ilegal sob a lei internacional; de acordo com o respeitado advogado para crimes de guerra Christopher Black, em diálogo com este autor. Então, onde estava a indignação pública acusações contra este ataque flagrante de mais criminalidade pelos nossos governos europeus e seu aliado americano?

Mesmo onde países não tenham sido diretamente atingidos por militares da OTAN, como a Eritreia, Sudão e Camarões, refugiados provenientes de tais lugares estão fazendo isso em grande parte por causa da iníqua porta de entrada (gateway, no original – NT) da Europa em que a Líbia foi transformada pela destruição pela OTAN.

Nesta semana, vamos ver o parlamento dinamarquês votar medidas que permitem à sua polícia confiscar bens dos requerentes de asilo no valor de mais de US $ 1.400. O movimento tem causado controvérsia internacional por causa da preocupação de que as autoridades dinamarquesas estão violando direitos humanos.

A lei dinamarquesa é apenas um em uma litania de sinais sombrios que a Europa está se tornando um lugar cada vez mais hostil para com os refugiados. Países como a Hungria, a Eslovênia, a Polônia e a Áustria estão fechando suas fronteiras. Mesmo, anteriormente mais abertas, Alemanha e Suécia, estão restringindo a entrada de refugiados e enviando muitos de volta para os países de onde vieram.

Por um lado, é compreensível que os residentes em diferentes países estejam alarmados com o aumento do número de cidadãos estrangeiros. Especialmente quando os estrangeiros são visivelmente diferentes na cor, vestido e prática religiosa. Vamos direto ao ponto. Os muçulmanos do Norte da África e do Oriente Médio são motivo de preocupação para muitos europeus.

A onda de assaltos sexuais em cidades alemãs e suecas alegadamente efetuados “aparentemente por jovens árabes" tem alimentado a reação popular. Mas há perigo de reação exagerada que alimenta interesses políticos de grupos racistas. A charge da revista francesa retratando o menino sírio que morreu de afogamento como um agressor sexual de adulto é um incitamento desprezível e irresponsável.

Assim também é pixar refugiados como "simpatizantes de terroristas". Na sequência dos ataques terroristas jihadistas em Paris em 13 de novembro, tem havido aumento dramático em ataques de ódio anti muçulmanos relatados na Grã-Bretanha e França. Os terroristas de Paris podem ter infiltrados com as multidões de refugiados sírios na Europa. Mas, certamente, o verdadeiro foco deveria ser sobre por que e como esses jihadistas foram para a Síria, em primeiro lugar. E por que milhões de pessoas que se deslocam são provenientes desse país.

Esta semana informou-se que os requerentes de asilo na Grã-Bretanha estão sendo forçados a usar pulseiras coloridas para se qualificarem na distribuição de alimentos. A forma visível de identidade levou aos portadores a abusos nas ruas, de acordo com o jornal The Guardian (lembra o uso de estrelas amarelas por judeus na época da Alemanha de Hitler – NT).

Anteriormente, os requerentes de asilo na cidade britânica de Middlesbrough tinham suas portas de casas pintadas de vermelho por uma autoridade local. Mais uma vez, a discriminação levou a ataques de bandidos racistas.

Se oficialmente ou não, a Europa está se tornando racista, fortemente xenofóbica. Dada a própria história do continente de guerra, deslocamento, fascismo e perseguição genocida, deve se profundamente preocupante, que é mais uma vez uma encosta escorregadia para a tal mentalidade niilista. Dobra a preocupação quando ouvimos apologistas de medidas intransigentes contra refugiados que falam sobre “a conservação de sangue europeu e cultura”. Considerando milênios de migrações da Europa, para que servem estas conversas sobre "sangue puro", além de instigar noções míticas malignas?

Comparar a Europa com um barco afundando sobrecarregado com abundantes emigrantes também é estúpido e irresponsável. A entrada, na Europa, de um milhão de refugiados, no ano passado, equivale a 0,2 por cento do seu total de 500 milhões da população. A entrada de 21.300 de refugiados na Dinamarca, no ano passado, constitui menos de 0,4 por cento da sua população nacional.

A “crise” dos refugiado na Europa está se transformando em um pânico irracional e xenófobo que não é justificado pelos fatos. E enganando as pessoas no território político perigoso da ação de perseguição, discriminação racista e outros fatos sociais de caráter fascista que violam todos os nossos direitos como cidadãos.

Mas muito mais importante, a histeria equivocada sobre refugiados é uma distração da verdadeira questão. A cumplicidade dos Estados europeus nas guerras de agressão ilegal e intervenções secretas de mudança de regime.

Líderes políticos como David Cameron da Grã-Bretanha e da França, François Hollande, assim como Nicolas Sarkozy devem ser processados perante um tribunal internacional por crimes contra a paz. Os cidadãos europeus que não consideram seus governos desonestos considera-se o verdadeiro problema.

Envergonhar os vilões, não culpar as vítimas. Se nós não resistirmos à tirania sem lei, então seremos suas próximas vítimas.


Finian Cunningham - nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1963. Especialista em política internacional. Autor de artigos para várias publicações e comentarista de mídia. Recentemente foi expulso do Bahrain (em 6/2011) por seu jornalismo crítico no qual destacou as violações dos direitos humanos por parte do regime barahini apoiado pelo Ocidente. É pós-graduado com mestrado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Também é músico e compositor. Por muitos anos, trabalhou como editor e articulista nos meios de comunicação tradicionais, incluindo os jornais Irish Times e The Independent. Atualmente está baseado na África Oriental, onde escreve um livro sobre o Bahrain e a Primavera Árabe.


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