Irã e Rússia seguem em frente com “novos acordos
comerciais” para excluir o dólar (norte)americano – a desdolarização acelera.
por Timothy Alexander Guzman, Silent Crow News – http://silentcrownews.com/wordpress/?p=4501
tradução de
btpsilveira
Não se trata apenas da busca de se
apossar de seus recursos naturais a ameaça de guerra contra o Irã, ou de
controle estratégico ou ainda de uma suposta proteção para Israel, mas também e
principalmente trata-se do uso do dólar (norte)americano no comércio de
petróleo. O Irã está seguindo avante para substituir os dólares
(norte)americanos em seu comércio com a Rússia por Rials e Rublos russos.
Janeiro passado o Irã fez um movimento
significativo para “parar de fazer acordos
em dólares com países estrangeiros”. De
acordo com a agência RT News, “o Banco Central
do Irã (CBI – Central Bank of Iran) comunicou: em trocas comerciais com países
estrangeiros, o Irã usará outras moedas, entre as quais, o Yuan chinês, o euro,
a Lira turca, o Rublo russo e o Won sul coreano”, - foram as informações que Gholamali
Kambay, vice presidente do CBI disponibilizou à agência estatal de notícias
Tasnim. Delegados russos e iranianos tiveram um encontro para discutir novos
acordos comerciais. O jornal Iran Daily
acaba de publicar uma reportagem informando que o Irã e a Rússia estão em pleno
processo de “criar uma conta bancária
conjunta para facilitar o comércio entre os dois países em suas próprias moedas”.
O embaixador do Irã para a Rússia, Mehdi Sanaei, disse em
janeiro passado que Teerã e Moscou estão trabalhando em um plano para a mudar
para as próprias moedas nacionais os pagamentos de seu comércio bilateral e
para isso os dois países devem criar um Banco comum ou pelo menos uma conta
conjunta. “Os dois lados têm planos de criar um Banco comum, ou uma conta
conjunta, então, os pagamentos tanto poderão ser feitos em Rials quanto em
Rublos e há um acordo para criar um grupo de trabalho [para isso]”, disse
Sanaei.
Em março passado, o Irã e a Rússia assinaram um acordo
para criar em conjunto um comitê regulador para “supervisionar as transações financeiras interbancos entre os dois
países”. O resultado positivo de tais acordos é evitar quaisquer futuras
sanções que Washington e seus aliados de compadrio possam desfechar como armas
financeiras contra seus adversários. O jornal Iran Daily concluiu que esse acordo pode resultar, no longo prazo:
O acordo – que foi assinado entre os bancos centrais do Irã
e da Rússia – pode levar os dois países um passo mais perto do estabelecimento
de um promissor banco conjunto – o qual acredita-se que tenha sido pensado
especificamente para evitar os efeitos de sanções lideradas pelos Estados Unidos
contra os dois países.
É por isso que Washington está desesperada para derrubar o
governo de Assad e consequentemente enfraquecer a influência do Irã na região.
Se Assad for removido com sucesso, Israel poderá se concentrar no Hezbollah,
com um ataque de força total. Se a Síria e o Hezbollah forem derrotados
militarmente, então o Irã poderia ver-se ameaçado com uma guerra em que teria
que enfrentar ao mesmo tempo Israel e os Estados Unidos com a possibilidade do
uso de armas nucleares, principalmente se Hillary Clinton ou um dos principais
candidatos do Partido Republicano vier a se tornar presidente. Com certeza, o
Irã está deixando Washington à beira de um ataque de nervos.
A Guerra monetária contra os países produtores de
petróleo: Iraque, Venezuela e Líbia.
O Iraque, a Venezuela e a Líbia tentaram
excluir o dólar (norte)americano de seu comércio de petróleo mas deram de cara
com a resistência de Washington. Antes da invasão do Iraque em 2003, Saddam
Hussein (antigo aliado dos Estados Unidos) decidiu que queria usar euros no
lugar de dólares em suas transações com petróleo. Esta foi a real e principal
razão pela qual o regime de Bush queria remover Saddan Hussein, e não porque
estaria fabricando “armas de destruição em massa” [Weapons of Mass Destruction
(WMDs)], conto da carochinha publicado no jornal “The New York Times” com autoria de Judith Miller e que serviu como
justificativa para a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, operação esta
também conhecida como “Operação Iraque Livre”.
Em
novembro do ano de 2000 Saddam Hussein começou a exigir pagamento em Euros pelo
seu petróleo. Sua arrogância era uma ameaça ao dólar; a fraqueza militar do
regime de Hussein nunca representou qualquer ameaça. No primeiro encontro de
gabinete com a nova administração em 2001, como relatado pelo Secretário do
Tesouro Paul O’Neill, o principal tópico discutido foi a forma pela qual nos
livraríamos de Saddan Hussein – apesar de nunca ter havido qualquer evidência
de que ele representasse uma ameaça para nós. A preocupação intensa com Saddan
Hussein deixou O’Neill surpreso e chocado.
Atualmente,
é de conhecimento de todos que a reação imediata da administração logo após
9/11 foi descobrir como poderia Saddan Hussein ser conectado aos acontecimentos
trágicos daquele dia, para justificar uma invasão e derrubar o seu governo.
Mesmo sem nenhuma evidência de qualquer conexão com 9/11, ou mesmo evidência de
armas de destruição em massa, obteve-se o apoio do público e do Congresso
através de uma distorção avassaladora dos fatos para justificar a derrubada de
Saddan do governo.
Uma das razões principais da invasão do Iraque foi a
decisão de Saddan Hussein de eliminar o dólar dos Estados Unidos,
substituindo-o pelo Euro nas vendas de petróleo do país, mas isso não parou
aqui. Ron Paul também mencionou a Venezuela quando do governo e liderança do
Presidente Hugo Chaves naquela época:
Em 2001, o embaixador da Venezuela
para a Rússia falou da transição que a Venezuela pretendia fazer do dólar para
o Euro para todas as suas vendas de petróleo. Dentro de um ano houve uma
tentativa de golpe de Estado contra Chavez, a qual se afirma que contou com a
ajuda da CIA. Depois destas tentativas de substituir o dólar pelo Euro como
moeda de reserva mundial e da resistência violenta oposta por Washington, a
forte queda do dólar frente ao Euro foi revertida. Estes acontecimentos podem
muito bem ter um papel importante na manutenção do dólar como moeda dominante.
O Irã é há muito tempo um alvo para a mudança de regime.
No entanto, com a Rússia e a China no quadro parece “muito pouco provável” que isso aconteça. A Rússia e a China são os
maiores obstáculos para os planejadores de guerras do Pentágono. Os Estados
Unidos, no entanto, tem esperança que o Estado Islâmico possa criar ainda mais
caos na região, permitindo que o EI alveje o Irã dentro de suas fronteiras, mas
isso será um tiro no escuro. O Irã está liderando no Oriente Médio o processo
de mudança para substituir o dólar por outras moedas e Washington entrou em pânico.
A Síria, o Hezbollah e a Rússia também estão a caminho para tirar do dólar sua
posição de dominância.
Poderá Washington forçar o Irã a usar o dólar como moeda
para suas transações comerciais com a ameaça de guerra? Com grandes potências apoiando
o Irã, essa tarefa parece impossível. Quanto mais os países abandonarem o dólar
dos Estados Unidos, mais o seu “valor de
troca” cairá, o que resultará em um dólar mais fraco. Habitualmente, quando
os países exigem uma determinada moeda para seus mercados de trocas externas, o
valor dessa moeda em particular tende a subir.
Será que a máquina de guerra dos Estados Unidos tentará
forçar os países como o Irã a continuar a usar dólares para o seu comércio de
petróleo mantendo assim o dólar à tona? Temos então uma “moeda de guerra” que
está sendo abandonada pelo Irã e pela Rússia. Quem pode culpá-los? Foi Washington
que começou com essa guerra econômica ao detonar suas sanções contra o Irã e a
Rússia porque eles não aceitavam humildemente cumprir as normas impostas pelo
poder imperial que pretende fazer as regras que todos são obrigados a seguir.
Agora, o Irã e a Rússia terminaram por expulsar o dólar de suas transações de
negócios, uma solução que era esperada há longo tempo.
Timothy Alexander Guzman
Comentários
Postar um comentário