segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Uma Nova Ordem Mundial pelo povo? 


10/11/2016, Eric Walberg (Canadá) Eurasia Review (Pequim) in 4thmidia
Traduzido pelo Coletivo de Tradutores da VILA VUDU

Uma onda de energia popular que começou com Brexit em junho converteu-se em tsunami, quando o ciclone Trump atingiu Washington na 3ª-feira à noite e deixou em ruínas a capital. É história que parece saída dos contos de fadas dos irmãos Grimm. Os camponeses em levante. A civilidade de fancaria do pesadelo neoconservador que os norte-americanos (e o mundo) padecemos durante anos, está ruindo.

A vitória de Trump é puro protesto das massas. Excitante, entusiasmante e perturbadora. Trump, afinal não passa de mais um bilionário. Com certeza olhará pelos seus, mas – outra vez: quem sabe? – talvez ele os encare, mais que olhar por eles.

Por sorte há Congresso e Senado Republicano para assegurar estabilidade quando o monstro puser os pés no chão. Os Democratas enfraquecidos terão de se esforçar muitíssimo mais, depois de anos de vida mansa e complacência sob governo do gentil e tranquilo liberal Obama.


Para os que criticam o controle que o lobby israelense exerce sobre a mídia empresa nos EUA e eleições viciadas nas quais o dinheiro governa, a vitória explodiu aquele velho paradigma.

"Dado que os ‘Masters do Discurso’ controlam absolutamente toda a mídia-empresa mundial, e decidem o que o povo pode pensar e dizer do Canadá a Hong Kong, só vocês, cidadãos norte-americanos, podem derrotá-los. Trump tem uma grande qualidade que o torna adequado à tarefa: é homem já imune a rótulos e calúnias. Já foi chamado de todos os palavrões de praxe na boca dos 'politicamente corretos': antissemita, racista, odiador de mulheres, tudo. E sobreviveu àquela gangue mortífera. Gente assim é muito rara," 
escreve Israel Shamir.

Quase todos os presidentes desde Jimmy Carter fizeram campanha como outsiders. Reagan, Bill Clinton, Bush Filho, Obama. Mas eram políticos experimentados, e mesmo assim todos desapontaram.

Há um precedente de rematado outsider, inventado e inflado pela mídia, que saltou sem degraus para o mundo político: Jesse Ventura, um ex-lutador profissional de vale-tudo que foi o 38º governador de Minnesota de 1999 a 2003. Foi o primeiro membro do Partido da Reforma a alcançar alta posição de governo nos EUA; hoje está no Partido Independente de Minnesota.

Ventura surpreendeu todo mundo e fez governo sóbrio, sem vestígio de corrupção, reformou impostos e construiu o METRO Blue Line, linha de trem leve em Minneapolis-Saint Paul. Destroçou o quartel general Republicano-Democrata e ninguém saiu ferido. Agora, Trump destroça o mesmo quartel-general, outra vez. Deixa uma trilha aberta para candidato independente, de algum terceiro partido, para o futuro.


A carta-trunfo de Trump 


spot final de campanha de Trump, 2 minutos de uma 
obra prima de retórica popular enfureceu os sionistas da Liga Antidifamação [ing. Anti Defamation League, ADL], porque apontava para o óbvio: as forças da finança internacional têm agenda própria para os EUA, pelas nossas costas, e o agente disso é/foi Hillary Clinton. Trump denunciou uma "estrutura global de poder" que está "sangrando os EUA até o osso" com acordos comerciais horríveis que enriquecem as elites e empurram multidões para a imigração em massa.

O pessoal por trás desse assalto globalista inclui George Soros, a diretora do Federal Reserve Janet Yellen e o presidente do Banco Goldman Sachs Lloyd Blankfein; implica que Clinton é empregada deles.

"A máquina dos Clinton está no centro dessa estrutura de poder. Vimos a máquina em operação, em primeira mão, no material publicado por WikiLeaks, com informação sobre reuniões secretas entre Hillary Clinton e bancos internacional, conspirando contra a soberania do próprio país, para enriquecer essas potências financeiras globais, os parceiros de interesses dela mesma e seus doadores" – disse Trump.

Só esse parágrafo certeiro no fígado do establishment clintonista já valeu mais que todos os milhões que Hillary gastou em spots de propaganda para TV, em que denuncia fraquezas de Trump, as quais a própria Hillary encarrega-se de inflar e propagandear. Agora, até os Republicanos inteligentes começam a acordar. As palavras de Trump estão gravadas na cabeça deles. Só isso já bastaria para dar à eleição dimensões históricas.

A campanha dos sionistas da Liga Anti-Difamação contra Trump ("O discurso de encerramento da campanha toca em imagens e retórica que os antissemitas usam a eras") só fez alertar os norte-americanos contra a vacuidade das 'denúncias' contra um "Trump antissemita". Se alguma coisa se aproveita, ao fazer alarde e ostentar a falsidade do próprio discurso, a ADL ajudou a fazer ver onde estava o certo e onde estava o errado.

O veterano vice-presidente da Câmara de Representantes Dennis Ross da Flórida elogia Trump por sua reconhecida capacidade como negociador. "Ok, às vezes ele solta coisas como 'construir um muro' ou 'nada de muçulmanos' e diz coisas para chamar a atenção. Mas também sabe ceder e logo aparece com melhor solução."

Paul Ryan, presidente da Câmara dos Representantes desqualificou Trump publicamente durante a campanha. Agora, assustado, esgueira-se pelos cantos. A comparação moderna mais próxima de presidente sem história política institucional e presidente da CR ambos do mesmo partido pode ser a precária relação, no final da década dos 1970s, entre o presidente Jimmy Carter e o presidente da CR Tip O’Neill, ambos Democratas.

A equipe de Carter não sabia como funcionava o sistema em Washington e teve de lutar para fazer avançar a própria agenda.


Novo jogo de bola nos EUA 


A vitória dos Republicanos no Congresso e no Senado, com presidente Republicano, oferece chance para que se faça mudança significativa.

Se Trump desenvolverá mais clara preocupação com o meio ambiente e se se porá com empenho a trabalhar a favor dos milhões de norte-americanos pobres que depositaram nele as suas esperança? Só o tempo dirá. Mas Trump tem enorme responsabilidade, deve fazer valer o voto de confiança que os eleitores lhe deram e gerar suficiente esperança que leve a reconciliá-lo com os que não votaram nele.

Os dois lados, agora, devem cuidar de examinar muito profundamente as próprias entranhas, dos dois lados em que se divide a vida política nos EUA.

A eleição é como uma convocação à ação, para que todos se empenhem muito para salvar o meio ambiente, reconstruir um país dilacerado e exigir dos próprios EUA que promova política exterior responsável.

A democracia só funciona quando todos nós nos empenhamos a favor dela. As pessoas estão despertando da catatonia induzida por Wall St. É hora de um novo ‘Occupy Wall St.’ e de trabalhar a favor da paz.

Até aqui, o lado bom. Mas as políticas de Trump para Oriente Médio e Irã são confusas e incoerentes. Esperemos que a amizade entre ele e o presidente Vladimir Putin injete realismo nos planos e faça aumentar a capacidade e a determinação para mudar o projeto imperial dos EUA que desgraça o mundo. Na França, os cidadãos franceses estão igualmente furiosos com o que veem por lá.

A vitória de Trump torna mais provável uma vitória da Frente Nacional de Marine Le Pen. "Povo americano: livre!" – tuitou Le Pen, quando a vitória de Trump tornou-se irreversível.

A mesma vitória também renova a energia da decisão dos britânicos que querem deixar a União Europeia. Candidaturas de protesto em toda a Europa ganharam votos e assentos no Parlamento de vários países, e passaram a integrar coalizões de governo em 11 democracias ocidentais, entre as quais Áustria, Itália e Suíça.

Essa onda de protesto está acumulando forças. Agora, o povo norte-americano tem a chance – e a responsabilidade – de ajudar a determinar o porto ao qual Trump conduzirá sua 'revolução'. Se Trump decidirá, com contrapartes em outros países, criar uma 'Nova Ordem Mundial pelo Povo' – em tudo diferente da que Bush Pai prometeu em 1991 e Bush Filho não conseguiu fazer.


A política externa está descontrolada há muito tempo, cometida pelas elites em reuniões secretas e portas fechadas. O governo, agora, tem de ouvir os cidadãos, afinal, depois de anos de povo cerceado e passivo, e de políticas pró-elites. Trump fez promessas sérias, de que revitalizará os norte-americanos. O povo saberá fazê-lo cumprir o que prometeu.

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