domingo, 4 de dezembro de 2016

A oposição entra em colapso na Síria como resultado dos eventos em Alepo

por YURY ZININ
tradução: btpsilveira

“O fracasso da oposição em Alepo” – “Enquanto a cidade cercada espera a batalha decisiva, o Sol se põe sobre os terroristas”. Manchetes parecidas com estas podem ser encontradas através de toda a imprensa do Oriente Médio depois da retirada desastrosa dos jihadistas, especialmente aqueles da Frente Al-Nusra, da faixa de terreno que eles se acostumaram a dominar em Alepo – segunda maior cidade da Síria.

A menos que as forças da Jabhat al-Nusra tenham sido derrotadas, diz o influente jornal libanês As Safir, Damasco não seria capaz de expulsar outros grupos extremistas da cidade que eles ocuparam por tanto tempo.


O decorrer dos acontecimentos em Alepo claramente pegou de surpresa aquelas forças do Oriente Médio que têm apoiado a oposição radical armada, provendo-os tanto de petrodólares quanto de armas e apoio na imprensa.

Estas forças continuam papagueando as mesmas velhas acusações contra a Síria e a Rússia, de que eles estariam bombardeando “brutalmente” a população civil em Alepo, e desta forma “organizando um desastre humanitário”. Claro, eles têm que encontrar uma desculpa, por esfarrapada que seja, para o fracasso de seus jihadistas/terroristas em Alepo, enquanto ao mesmo tempo tentam fortalecer o espírito daqueles que ainda têm capacidade de luta. Mas está tudo acabado agora, ao ponto de ter o presidente do autodenominado “Observatório Sírio para os Direitos Humanos”, citado na mídia ocidental dia sim outro também, resumido a questão: a oposição sofreu em Alepo sua pior derrota desde 2012.

Não é coincidência que a derrota tenha sido também reconhecida pelas forças antigovernamentais. A oposição nunca esteve tão fraca, disse Faiz Farah, um dos mais proeminentes líderes da Coalizão Nacional para as Forças de Oposição e Síria Revolucionária, que permanece uma organização política e militar profundamente dividida, que tem visto conflitos que desaguam em luta armada entre seus principais grupos por todos os lados.

Neste momento, em que se inicia o fim de seu apoio estrangeiro, argumenta Farah, a oposição está se tornando cada vez mais fraca e seus patrocinadores fazem questão de não deixar esquecer o quão fraca se tornou. Se a situação se aprofundar, a oposição terá que encarar o inevitável – uma morte longa e dolorosa.

Como única chance possível de sobrevivência, Farah pede urgência na imposição de uma transformação política radical. Caso necessário, pede em particular que sejam cortados todos os laços com a miríade de bandidos que estão lutando na Síria, incluindo os terroristas e grupos como a Jabhat al-Nusra.

Outro membro proeminente da oposição síria, Haj Hussein disse que a oposição se tornou mero peão nas mãos de forças externas. Ele alega que o financiamento externo desacredita os esforços da “causa nacional”. Com tudo isso, é claro como água que a oposição está entrando em uma crise sistêmica profunda e começa a colher os frutos das decisões equivocadas tomadas em 2011. Naquela ocasião, ao assumir o desejo de derrubar um governo legítimo, acabaram por lançar o país em um quadro de caos e destruição, tornando-se ilegal no decorrer do processo.

A oposição não foi capaz até agora de apresentar um único projeto de desenvolvimento para o país. O que mais se ouve deles é a lamentação constante de que foram alegadamente “abandonados pelo ocidente”. Neste momento, o slogan mais popular estre esses grupos é o de que os Estados Unidos e seus aliados deram folga demais para o “Urso Russo”.

O jornal londrino Al-Arab disse que a oposição, apesar de todo o forte apoio que tiveram do ocidente, até agora falhou em convencer o mundo de que é capaz de desempenhar um papel comparável ao mostrado por Damasco. Preferem buscar a justificação fácil para seu fracasso, dizendo que até agora houve todo tipo de conspiração “contra a revolução do povo sírio”.

Certos jornalistas sempre se referem a esta “revolução” como uma espécie de força mística, que seria, conforme apregoam, muito complicada para ser entendida por meros mortais. Ocorre que estes últimos já fizeram sua escolha, escolhendo da maneira mais antiga conhecida na história humana: eles fugiram das áreas controladas pela oposição, buscando refúgio nas áreas controladas pelo governo ou para fora do país. Hoje, a repetição deste mesmo cenário pode ser visto em Alepo: centenas de milhares de residentes da parte oriental da cidade, mesmo com as ameaças de morte feitas pelos jihadistas radicais, estão saindo para distritos ocidentais da cidade, que já estão sob o controle de Damasco.

YURY ZININ, prestigiado pesquisador do Instituto Moscovita Estatal para Relações Internacionais, exclusivamente para a revista online “New Eastern Outlook.”


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