segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Síria: O cerco de Alepo oriental está perto do fim


por Moon Of Alabama
tradução: btpsilveira


05 de dezembro de 2016 è Information Clearing House - Moon Of Alabama – Esta é a situação na parte oriental de Alepo em 04 de dezembro, 6PM ET. A área verde cercada, ainda na posse da al-Qaeda e seus aliados deve desaparecer em breve.

 
O Governo britânico disse que a cada vez mais próxima vitória do governo sírio em Alepo, no fim das contas não será uma vitória. Besteiradas. O que é claro é que ele e seus pares estão desistindo da questão e agora querem livrar a cara com um coro de lamentações. A aliança da Síria está vencendo, os Estados Unidos devem mudar sua política externa e o fim da guerra já pode ser dado como previsível.


A operação de propaganda enganosa do MI6, denominada “Bana Alabed” terminou. A estrela maior da operação seria uma menina de sete anos na parte oriental da cidade que pode até não falar inglês, mas no twitter escreve de forma impecável questões políticas nessa língua, mesmo quando em Alepo não havia mais qualquer possibilidade de conexão com a internet. Agora sumiu como por encanto. Parece mais com uma das primeiras operações de propaganda  enganosa  em  Alepo, a “garota  homossexual  em  Damasco”  que também sumiu como por encanto em 2011, um pouco antes de seu operador (um homem) na Escócia ser desmascarado. Com que cara os meios de comunicação que caíram neste absurdo chamado “Bana” vão agora se explicar com seus leitores e expectadores?

Desde o início da Ofensiva do exército sírio na parte oriental de Alepo, dominada pelos Takfiri, mais de 21.000 civis deixaram a região em direção às áreas dominadas pelo governo na parte ocidental da cidade. Vários relatos confirmam que estes civis eram tratados pelos Takfiris como reféns e tiveram fugir sob fogo:

 “Nós éramos pressionados de todas as maneiras, financeira e psicologicamente. Os atiradores estavam tentando evitar nossa saída até que exército chegasse,” disse Amina Rwein, de 36 anos, que fugiu com seu marido, sete filhas e três filhos.

Ela afirmou que “nós estávamos sendo alvejados por atiradores, até que o exército atingiu o minarete de onde estavam disparando e então conseguimos cruzar”.

Entre os moradores fugitivos, cerca de 500 eram lutadores rebeldes que se entregaram ao exército sírio. 480 dentre eles eram antigos moradores de Alepo, aos quais se permitiu irem embora, depois de prometerem não lutar mais contra o governo.

Os rebeldes remanescentes querem continuar na cidade e lutar até o fim. Isso inutiliza os planos de Secretário de Estado Kerry que tenta conseguir mais um cessar fogo no qual alguns lutadores da al-Qaeda poderiam deixar a cidade mas outros Takfiris continuariam a manter o controle da parte oriental de Alepo. De qualquer forma, Kerry chegou tarde mais uma vez. O acordo já não estava mais sobre a mesa de conversações. Os Estados Unidos tem sempre ideias erradas – pretendiam subornar o governo sírio para deixar alguns Jihadistas ainda no poder. Só pode ser piada! As forças russas e sírias não deixarão sequer um inimigo vivo na área e nem uma polegada de terreno de Alepo ocupado por terceiros. Mais tarde, o mesmo será aplicado a toda a Síria.

Novas saídas controladas para civis e lutadores que quiserem deixar a cidade deverão acontecer em breve. Todas as antigas áreas de saída na parte norte da cidade estão agora completamente sob controle do governo sírio.
Duvido que haja muitos civis na área de conflito, se é que ainda há.  Como já disse na estimativa feita em 15 de outubro:

Com base nos números de Daraya e outras cidades anteriormente sob cerco na Síria, provavelmente existem não mais que 4/5.000 lutadores e cerca de 3 a 5 civis por lutador, quer dizer, que representam suas famílias, na parte oriental de Alepo. O total pode muito bem ser menor que 20.000.

A Agência de Refugiados das Nações Unidas e vários altos funcionários da ONU espalharam contos da carochinha sobre cerca de 270.000 civis cercados na parte oriental de Alepo. Esses números foram exaustivamente repetidos pela mídia ocidental sem ressalvas. Mais de 60% das áreas foram libertadas. A Cruz Azul Internacional foi até os locais. Eles estavam vazios. Onde estarão as centenas de milhares de pessoas que a ONU imaginava?

Ainda acontecem ataques diários por mísseis disparados de áreas dominadas por Takfiris contra as áreas dominadas pelas tropas governamentais na parte ocidental de Alepo e cada ataque desses cobra seu preço em vidas. UPDATE: De acordo com a agência SANA,8 pessoas foram mortas e 25 feridas hoje quando os Takfiris lançaram mísseis contra áreas residenciais de Alepo ocidental. Um hospital de campo russo instalado nos últimos dias para ajudar refugiados de Alepo oriental foi atacado pelos Takfiris “moderados”. Uma médica russa morreu e várias outras pessoas foram feridas, enquanto o hospital foi destruído (fotos).

Estes ataques tornam inequívoca a urgência de drenar o caldeirão o mais cedo possível. Além disso, há várias outras razões também urgentes para atacar mais rapidamente que o esperado a parte oriental de Alepo.

Nas ocasiões em que os ataques foram retardados pelo exército sírio e seus aliados, os jihadistas mesmo assim se mantiveram ocupados dentro do Caldeirão, em lutas intestinas. Ontem, o grupo da al-Qaeda, Jabhat al-Nusra, juntou-se ao grupo Zinki, equipado pela CIA, para atacar os quartéis generais de outros grupos armados na cidade, que detinham o controle sobre locais de armazenamento de comida e munição. Estes momentos de luta interna são ideais para que as forças sírias ataquem de forma inesperada.

As forças do governo sírio não seguem a linha estratégica esperada pelos militares profissionais. Eles não atacam ao longo das principais rodovias ou contra os eixos óbvios cheios de postos de controle do inimigo e com armadilhas previamente montadas. Em vez disso, ficam tateando até encontrar um ponto fraco e por ali atacam com toda a força para surpreender os postos de controle do inimigo pela retaguarda. Os 25.000 soldados sírios e as 10.000 tropas aliadas estrangeiras (4.000 do Iraque, 4.000 iranianos e 2.000 libaneses do Hezbollah) contam com apoio sem precedentes da Força Aérea Síria através de aviões e helicópteros. Relatos de “bombardeios russos” na Alepo oriental são todos falsos e são falsos pelas últimas seis semanas. Apenas a Força Aérea da Síria está em atividade na área.

O plano geral é concentrar todos os Takfiris em uma pequena área na Alepo oriental (talvez a “cidade Velha”), e então negociar sua partida para Idlib, no nordeste da Síria. A própria Idlib já é palco de lutas internas entre grupos jihadistas de vários matizes, aos quais foi oferecida a oportunidade de sair de outras áreas de conflito ao redor de Damasco, como Homs e Hama. Logo se tornará alvo para as Forças Aéreas da Rússia e da Síria. Os jihadistas então fugirão para a Turquia, o que representa a tempestade perfeita e o pesadelo de Erdogan, e talvez, através da Turquia, se dirijam para as cidades europeias “ocidentais”. Ali, serão tratados a pão de ló, mimados e poderão descansar até que seus patrões os convoquem para outra guerra.


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