quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Foi o ocidente que apontou a arma que assassinou o embaixador russo

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Finian Cunningham, traduzido por btpsilveira

O assassinato brutal do embaixador russo Andrey Karlov em Ancara mandou ondas de choque pelo mundo afora. Condenações do ato de barbárie foram emitidas por Washington e estados Europeus contra o ato de terrorismo por um atirador que alvejou Karlov pelas costas enquanto ele estava discursando na capital turca.
Na sequência do ataque, a Casa Branca condenou o que chamou de “ataque odioso”, enquanto a chefe para relações exteriores da União Europeia Federica Mogheriuni prometeu solidariedade com a Rússia.

Brado de uma manchete: “União Europeia e Estados Unidos chocados pela morte do embaixador russo na Turquia”.
Quando se pensa nos meses do desnecessário e implacável aviltamento da Rússia pelos Estados Unidos e União Europeia por causa do conflito na Síria, a frase “lágrimas de crocodilo” teima em ficar em minha mente, relacionada às suas “condenações” do homicídio do embaixador.
Horas depois, no mesmo domingo da atrocidade em Ancara, um segundo atentado também aparentemente terrorista aconteceu na capital da Alemanha, Berlim, quando um refugiado paquistanês jogou um caminhão contra a multidão em um mercado natalino, matando ao menos 12 pessoas e ferindo outras 50. Tomados em conjunto, os eventos fizeram aumentar exponencialmente as medidas de segurança estatais através da Europa. Mais uma vez, uma ironia cruel, dada a culpabilidade dos estados europeus ao semear as sementes da violência.
Karlov (62) exerceu a carreira diplomática por quarto décadas, tendo assumido seu posto na Turquia em 2013. Ele trabalhou habilmente nos bastidores para facilitar o recente diálogo entre Rússia, Irã e Turquia, que possibilitou um acordo para evacuar civis e militantes do campo de batalha na cidade síria de Alepo.
Outin e Erdogan foram unânimes ao declarar que o assassinato foi uma “provocação”, destinada a minar as sensíveis negociações em andamento para encontrar um acordo político para o conflito na Síria. As conversações tiveram lugar no dia seguinte ao homicídio, quando os ministros de relações exteriores dos dois países, mais o Irã, se encontraram em Moscou como planejado na terça feira.
Significativamente, os Estados Unidos e seus aliados europeus foram deixados de lado nas negociações entre Rússia, Irá e Turquia, embora se saiba que os estados ocidentais são parte da guerra que se desenrola já a quase seis anos na Síria, tendo armado e financiado várias facções militantes antigovernamentais.
Em um discurso na TV, desde o Kremlin, Putin disse que as investigações sobre o assassinato do embaixador Karlov precisam encontrar “quem dirigiu encobertamente o atirador”.
O atirador foi rapidamente morto pelas forças especiais sírias, que invadiram a galeria de fotos. Ele se chamava Melut Mert Altintas, um policial de folga de 22 anos, membro das forças antimotim da polícia turca. Gravações feitas por sobreviventes entre o público que estava no evento mostram o assassino declarando apoio ao povo de Alepo, e gritando “Allah u Akbar” (Deus é grande)... “Isto é uma vingança por Alepo”, enquanto Karlov agonizava no chão.
Mais tarde, as autoridades turcas declararam que o atirador era filiado ao movimento Gulenista, ao qual já culparam anteriormente pela tentativa fracassada de golpe de estado em Julho passado. Essa declaração turca pode ser na realidade uma forma de contornar a embaraçosa situação de ter um dos membros de sua força policial filiado aos movimentos terroristas na Síria.
Alguns legisladores russos chegaram a afirmar que o assassinato de Karlov poderia ter sido orquestrado pela OTAN, aliança militar liderada pelos Estados Unidos. A liberação de Alepo na última semana, efetuada pelo exército sírio com a ajuda da Rússia, Irã e milícias libanesas, representa uma derrota estratégica importante para as potências da OTAN, que estão lutando uma guerra encoberta para a mudança de regime na Síria.
Também sugiram relatos durante o final de semana de que vários membros de forças especiais da OTAN tinham sido capturados pelas tropas sírias em Alepo. A presença encoberta de pessoal da OTAN em Alepo, presumivelmente para treinar e orientar terroristas jihadistas, pode muito bem ser a prova definitiva de uma conspiração criminosa para levar a guerra para a Síria.
Quanto ao assassinato do embaixador russo na Turquia, Karlov, resta saber se o policial que o matou não agiu sob direção de serviços de inteligência da OTAN.
No entanto, mesmo tendo agido como “lobo solitário”, ainda pode ser dito que os governos ocidentais e sua mídia vassala são responsáveis em larga medida, por ter “orientado sua ação”.
O amontoado de condenações, entre as quais as do secretário da ONU Ban Ki Moon, dos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, foi coordenado pelo Secretário de Estado John Kerry e por Samantha Power, embaixadora dos Estados Unidos para a ONU. Apenas alguns dias antes da morte de Andrey Karlov, os países ocidentais e altos funcionários da ONU estavam lançando uma intensa campanha na imprensa alegando que a Rússia teria cometido crimes de guerra durante a ofensiva para a retomada de Alepo.
John Kerry denunciou o que ele chamou de “massacre” em Alepo. Já Samantha Power foi quase histérica quando, no Conselho de Segurança da ONU, admoestou a Rússia, que seria “incapaz de se envergonhar”, fazendo acusações imprudentes e sem fundamento de que mulheres e crianças estariam sendo executadas em Alepo.
Durante os últimos meses, houve um crescimento contínuo das condenações de governos ocidentais e da imprensa, que chegou a um clímax quando Alepo foi finalmente retomada das mãos dos terroristas pelo exército sírio e seus aliados. Citando fontes suspeitas e ligadas aos grupos de terror que promoviam o cerco à parte oriental de Alepo, o ocidente demonizou a Rússia como opressora de civis, autora de crimes contra a humanidade.
Diplomatas Britânicos, (norte)americanos e Franceses distorceram grosseiramente os fatos, servindo-se de analogias para comparar as atitudes da Rússia e a Síria às depredações da Alemanha nazista e à Espanha fascista do General Franco.
Lembrem-se de quando os escritórios do consulado russo na Síria foram alvejados por foguetes lançados por militantes, os países ocidentais se recusaram a condenar a violação estúpida, ou quando o Secretário Britânico para Relações Exteriores Boris Johnson incentivou protestos públicos fora da embaixada russa em Londres. Também não se pode esquecer quando duas enfermeiras russas foram mortas em ataque terrorista com foguetes em um hospital móvel em Alepo, os países ocidentais permaneceram em um silêncio desrespeitoso ao invés de condenar os ataques. Da várias maneiras, sutis ou nem tanto, os governos ocidentais e sua imprensa têm tratado a Rússia como um vilão que merece ser atacado.
O auge das condenações atingiu Alturas inconcebíveis na última semana, quando Washington, seus aliados ocidentais e a ONU – todos devidamente amplificados incondicionalmente pela mídia ocidental – vilificaram a Rússia por estar alegadamente massacrando civis em Alepo oriental. A embaixadora (norte)americana Samantha Power citou especificamente relatos não verificados de crianças sendo mortas em um abrigo subterrâneo na Síria por forças russas.
Apo contrário do que diz a histeria ocidental, a realidade é que está ocorrendo uma evacuação ordeira e calma de dezenas de milhares de civis em Alepo. Não há sequer uma evidência de quaisquer massacres ou crimes contra a humanidade dos quais falam tão estridentemente funcionários ocidentais e da ONU. Ao contrário. Inúmeros civis estão expressando sua gratidão ao serem libertados pelas forças sírias e russas de um reino de terror imposto a eles por quatro anos pelos terroristas financiados pelo ocidente.
Virtualmente tudo o que as fontes oficiais ocidentais têm dito sobre a liberação de Alepo e de maneira mais geral sobre a guerra na Síria não passa de um monte de mentiras grotescas.
O congressista russo Alexey Pushkov, do Comitê de Política Externa da Duma russa, está correto ao afirmar que na sequência da morte do diplomata russo, a responsabilidade deve ser jogada às costas da histeria e das falsidades espalhadas pelo ocidente sobre os acontecimentos em Alepo, que levou a um clima de ódio imerecido contra a Rússia.
Quando o assassino turco levantou a arma com a qual disparara contra Karlov, declarou que estava agindo em memória dos “civis que foram mortos em Alepo”. Mas quem deu a ele a imagem da Rússia como sendo um alvo legítimo para uma “vingança”? Quem encheu sua cabeça com as imagens FALSAS de carnificina e horror contra civis em Alepo?
Ao responder essas questões com honestidade, a conclusão forçosa é que os governos ocidentais, diplomatas e imprensa todos estavam com as mãos na arma quando ela disparou para matar o embaixador Andrey Karlov.


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