sábado, 17 de dezembro de 2016

EUA, 2016: O golpe da 'elite' [em casa] 

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15/12/2016, Moon of Alabama
Tradução do Coletivo de Tradutores da Vila Vudu


  • Está em curso uma tentativa de golpe da "elite" contra o presidente eleito dos EUA Donald Trump.
  • O golpe é orquestrado pelo campo de Hillary Clinton em associação com a CIA e poderes neoconservadores no Congresso.
  • O plano consiste de usar-se a imbecilidade inventada pela CIA de "A Rússia pôs Trump na Casa Branca", para empurrar o colégio eleitoral contra Trump. A eleição então passaria ao encargo do Congresso. Os Republicanos mais belicistas da bancada da bala neoconservadora poderiam então entregar a presidência à Clinton ou, se esse golpe falhasse, pôr na presidência o vice de Trump, Mike Pence, eleito. E as negociatas da/para a guerra da qual lucram os dois partidos, e que uma presidência Trump ameaça interromper, poderão continuar.
  • Se esse golpe prosperar, é provável que comecem a eclodir violentas insurreições nos EUA, de consequências imprevisíveis.

Até agora, as teses acima não passam de vago esboço. Não se tem notícia de nenhum plano publicado nessa direção. Mas o esquema é bastante óbvio. A sequência contudo inclui alguma especulação.

A meta prioritária é negar a presidência a Trump. É independente demais e ameaça contra vários centros de poder operantes nos círculos do governo hoje reinantes nos EUA. A escolha de Tillerson para o cargo de novo Secretário de Estado só reforça os 'riscos' (deve-se prever que Bolton não ficará como vice). Tillerson é a favor de estabilidade que gera lucros, não de aventuras para mudar regimes. Os inimigos institucionais de Trump são:
  • CIA já convertida em Agência Central de Assassinatos nos governos Bush e Obama. Grande fatias do orçamento da Agência dependem de a guerra na Síria continuar e de se manterem as campanhas de assassinatos por drones no Afeganistão, Paquistão e outros lugares. As políticas mais isolacionistas de Trump provavelmente acelerariam o fim daquelas campanhas e os correspondentes cortes no orçamento.
  • A indústria de armas, que perderia vendas enormes aos principais fregueses no Golfo Persa, se Trump na presidência reduzir a interferência dos EUA no Oriente Médio e noutros locais.
  • Os neoconservadores e o Likud que querem manter os EUA como braço armado de Israel no Oriente Médio a serviço dos sionistas.
  • Em geral os falcões belicistas, militares em geral e "intervencionistas humanitários", para quem qualquer redução no papel dos EUA como potência hegemônica indiscutível no mundo soa como anátema contra suas crenças.

O atual diretor Brennan da CIA, figura de proa do programa de torturas da CIA e consigliere de Obama, está no campo Clinton/anti-Trump. Os ex- diretores da CIA Hayden e Panetta são apoiadores publicamente assumidos de Clinton, bem como Michael Morell, rei das torturas e ex-vice-diretor da CIA.

Tudo isso considerado, não surpreende que a CIA lidere a campanha anti-Rússia. A tarefa da Agência agora é implantar na opinião pública nos EUA a ideia de que a intervenção dos russos empurrou a eleição nos EUA na direção de Trump. O objetivo é deslegitimar a vitória de Trump aos olhos da 'mídia' e do público e – muito mais importante – também aos olhos dos Super Eleitores que votam no Colégio Eleitoral.

CIA é fortemente apoiada pelas mesmas mídia-empresas dominantes que promoveram Clinton durante toda a campanha. (São os mesmos, não por acaso, que também promoveram, antes, a campanha de 'divulgação' das "Armas de Destruição em Massa" de Saddam, que jamais existiram.)

Um professor de Direito em Harvard e militante dos Democratas, Lawrence Lessig, está 
fazendo campanha dirigida aos Super Eleitores e oferece a eles aconselhamento legal gratuito. Insiste que hoje haveria empate nos votos do Colégio Eleitoral.

Se 37 Super Eleitores Republicanos, eleitos pelos eleitores de seus estados para votar em Trump, forem convencidos a mudar o voto e/ou abster-se, Trump 
deixará de ter os 270 votos necessários. E toda a eleição do novo presidente passaria a ser serviço dos Deputados da Câmara de Representantes.

No caso de os Super Eleitores elegerem Trump, ainda assim haverá uma possibilidade de que membros da Câmara de Representantes e do Senado venham a questionar oficialmente a votação, o que provocaria atrasos e investigações no Congresso e idas e vindas de processos judiciais.

Nas páginas do National Archives and Records Administration, os leitores encontram 
detalhados os procedimentos gerais e todas as especificações sobre a operação do Colégio Eleitoral.

Embora os conservadores não tenham qualquer genuíno apoio do eleitorado norte-americano, eles têm controle fortemente implantado sobre partes significativas do Congresso e do 'comentariato' dos 'especialistas' que trabalham para os meios de comunicação de massa. Muitos neoconservadores de linha duríssima como Robert Kagan, Max Boot e o conselho editorial doWashington Post fizeram abertamente campanha a favor de Clinton. Num de 
seus spots de campanha , Clinton até aparece ao lado de luminares Republicanos ativos no Congresso, como Lindsay Graham, Sasse e Flake.

A maioria na Câmara de Representantes e Senado pode bem se pôr contra Trump, se a situação ficar realmente crítica. Mas seja qual for o resultado, com certeza haverá furiosa disputa judicial, com ações de um lado para o outro, e prevejo que a coisa termine na Suprema Corte.

Como tentativa de adiar a guerra judicial, a posse de Trump pode ser adiada pela ordem que Obama deu à comunidade de inteligência, de que produza uma consolidação/revisão formal das informações acessíveis sobre a intervenção russa, até 20 de janeiro. Não por acaso, é a data da posse do novo presidente dos EUA! 
Eis do que realmente se trata:

Ao ordenar uma "consolidação/revisão" [ing. "full review"] das ações dos russos relacionadas ao processo eleitoral de 2016, o presidente Barack Obama está, na essência, ordenando àComunidade de Inteligência que produza um juízo fundamentado, a propósito da validade da eleição que porá Trump no Salão Oval.

O Congresso "concederia" esperar pela análise assinada pela Comunidade de Inteligência, para só dar posse a Trump como presidente depois de aquela análise ter sido discutida e analisada. O mais provável é que nada aconteça de extraordinário a partir da tal análise, porque os relatórios oficiais da Inteligência Nacional [ing. National Intelligence Estimates] são sempre extraordinariamente vagos. Enquanto isso, o vice-presidente 
seria empossado e poderia assumir a presidência interinamente:

Se o presidente eleito não é diplomado antes da posse – lê-se na seção 3 da 20ª Emenda –, o vice-presidente eleito assume interinamente a presidência, até que se complete a diplomação do presidente.

Se o processo Congressional ou legal em torno da eleição de Trump for adiado, aquela situação pode arrastar-se por muito tempo. A camarilha que governa Washington pode muito bem sobreviver com um presidente Pence interino, Trump não poderá dar nem palpites em questões de governo. (E Clinton poderá talvez, nesse caso, atuar como vice-presidenta interina, ou ser oficialmente reconhecida e diplomada como titular da presidência?)

A intervenção/ação da mídia-empresa, contra Trump, é pesadíssima.

Mas em primeiro lugar tenham em mente que não há prova, ZERO PROVA, de que a Rússia tenha realmente feito coisa alguma que tenha a ver com informações vazadas do Comitê Nacional Republicano ou Podesta ou outra fonte qualquer de vazamentos e com a publicações de e-mails por vários veículos, dentre os quais, Wikileaks.

Craig Murray garante que sabe que não houve hackers invasores, que se trata de 
vazamentos saídos de dentro do governo/CNR e que ele conhece o(a, os,as) vazador(es). Na verdade, Murray nos diz agora que os e-mails foram oferecidos a ele durante visitas a Washington. Ex-funcionários da inteligência, inclusive William Binney, o tecnicamente respeitado ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional confirmam as palavras de Murray e também afirmam que a história do hacking é falsa.

Tudo que ouvimos e vimos até agora são rumores e diz-que-diz. Para mim, como profissional de Tecnologias de Informação (TI) com longa experiência, o caso é ridículo, risível, do ponto de vista técnico, exatamente como Murray 
explica aqui. Se os supostos hackeamentos aconteceram – e nem isso está confirmado –, os métodos que foram usados são tão elementares e conhecidos, que praticamente qualquer pessoa poderia ter capturado os mesmos e-mails. Não há sequer um traço de prova até agora, nem medianamente aceitável, do ponto de vista técnico, que prove que "a Rússia hackeou os e-mails".

Mas apesar de tudo, lá está o NYT incansável, a repetir enorme pacote de matérias para 
informar à opinião pública que "a Rússia fez todo o crime, sem pular uma etapa", sem qualquer prova, baseado só em rumores sem base factual distribuídos pela CIA e 'pareceres' emitidos por não profissionais de Tecnologia da Informação – empregados da tal Crowdstrike, empresa autopromovida de TI que o Comitê Nacional Democrata contratou e paga. 

Antes, o Washington Post publicara 
acusações diretas da interferência russa, citando como fonte funcionários "não identificados". Agora NBC News completa a 'notícia' com "funcionários da inteligência que dizem" que a operação de hacking foi comandada pessoalmente por Putin. A matéria vem assinada por dois hackers aliados do sistema e velhos conhecidos, Bill Arkin e Ken Dilanian conhecidos por nada jamais publicar que não tenha sido aprovado pela CIA. Mais uma matéria dessa dupla, e seremos 'informados' que Vladimir Valdimirovich em pessoa metralhava os teclados dos computadores hackers.

Muitos veículos e editoriais seguiram cegamente essas "matérias".

Parte do esquema montado pela campanha da Clinton aparece explicado por 
uma ex-pesquisadora-consultora especialista em oposição a serviço do Conselho Nacional Democrata, a ucraniana-norte-americana Alexandra (apelido, "Andrea") Chalupa, nessa sequência de mensagem pelo Twitter:


Andrea Chalupa 
@AndreaChalupa Dec 11
1.)  Colégio Eleitoral reúne-se dia 19/12. Se os Super Eleitores ignorarem #EstadoDeEmergência em que estamos & Trump for eleito, podemos pará-lo dia 6/1 no Congresso
2.) Se houver objeções ao resultado da votação no Colégio Eleitoral, terão de ser apresentadas por escrito em documento assinado por pelo menos um Deputado e um Senador
3.) Se as objeções forem formalmente apresentadas, Câmara & Senado recolhem-se para discutir o mérito do que tiver sido objetado, seguindo procedimento determinado em lei federal. 

...

Editoriais e colunas nos principais jornais já estão, sem descanso, propagandeando esse esquema. Apenas como exemplo, recolhido de uma longa lista, aí vai A.J. Dionne 
nWashington Post:

A descoberta pela CIA de que a Rússia interveio ativamente em nossa eleição para dar a vitória a Trump é excelente motivo para que os Eleitores [do Colégio Eleitoral] considerem se devem fazer valer o poder de sua independência. No mínimo, devem ser oficialmente informados de tudo que aCIA sabe e, especialmente, sobre provas de que Trump ou seus agentes tiveram contatos com a Rússia durante a campanha.

Editorial do New York Times 
lamenta que Trump esteja ridicularizando os contos de fada inventados pela CIA, os mesmos que o jornal não se cansa de repetir como se fossem fatos.

Muitos dos que votaram e elegeram Trump se sentirão gravemente atingidos se e quando Trump for impedido de tomar posse como presidente dos EUA. Muitos deles andam armados e com certeza protestarão. Não há infelizmente dúvidas de que, se o golpe de 2016 nos EUA for bem-sucedido, haverá violência.

Trump indicou quatro ex-generais para compor seu gabinete e formar o governo. No caso de o golpe prosseguir e os conflitos se aprofundarem, poderemos nos ver num cenário como o previsto num estudo militar de 1992: 
The Origins of the American Military Coup of 2012 (pdf) [Origens do Golpe Militar de 2012 nos EUA], de Charles J. Dunlap.


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