quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Obama é um agente russo?

As evidências examinadas por nosso correspondente são realmente alarmantes...

Dmitry Orlov, traduzido por mberublue

Às vezes, por falta de uma “prova irrefutável” a conclusão de que houve um malfeito qualquer parece fraca, sem evidências diretas de conspiração ou má conduta, ou intentos demoníacos – mas uma vez que você vai juntando as evidências elas no final mostram uma imagem incriminadora. Pois é assim que aparece a administração Obama, frente a frente com a Rússia, que mesmo mostrando uma aparência de hostilidade, fez tudo o que pode para alavancar a agenda russa.

Mesmo que sempre seja possível afirmar que os fracassos de Obama aconteceram por mera incompetência, há algo que salta aos olhos e merece destaque: como é possível ser tão competente... em ser incompetente? Talvez ele esteja apenas usando essa incompetência como um véu para encobrir seu verdadeiro intento, que tem sido sempre fortalecer a Rússia enquanto torna os Estados Unidos cada vez mais irrelevante no panorama global.
Vamos portanto examinar as principais iniciativas políticas de Obama por esse ângulo.
Talvez a conquista principal nestes oito anos de mandato Obama tenha sido a destruição da Líbia. Sob o falso pretexto de uma intervenção humanitária, aquele que foi um dia o país mais próspero e estável da África ficou reduzido a um monte de escombros povoado por terroristas de todos os matizes, e um ponto de trânsito para migrantes econômicos que se dirigem para a União Europeia. Isso teve o efeito de unir a Rússia e a China, que começaram a votar como um bloco contra os Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU.
De uma só vez, Obama assegurou seu mais importante elemento de trabalho como agente russo: os Estados Unidos nunca mais conseguirão tocar sua agenda no mais importante órgão internacional, as Nações Unidas.
A seguir, Obama presidiu mais um violento golpe de mudança de regime, derrubando o governo constitucional na Ucrânia, instalando em seu lugar um regime fantoche dos Estados Unidos. Quando a Crimeia votou em peso para voltar a fazer parte da Federação Russa, Obama impôs sanções contra o país. Esses movimentos, que parecem serem destinados a prejudicar a Rússia, na realidade são o contrário. Veja só o que resultou dessas intenções supostamente malévolas:
Em primeiro lugar a Rússia retomou o controle de uma região estrategicamente importante. Em segundo lugar, as sanções e contra sanções permitiram à Rússia concentrar-se em repor importações, refazendo sua economia doméstica. Isso foi especialmente expressivo no campo da agricultura, e hoje a Rússia faz mais dinheiro exportando comida que exportando armas. Terceiro: ao cortar seus laços econômicos com a Ucrânia, a Rússia eliminou um importante competidor econômico. Quarto, mais de um milhão de ucranianos resolveram mudar para a Rússia, temporária ou permanentemente, o que significou ao mesmo tempo um súbito crescimento demográfico e a obtenção de mão de obra especializada e falante de russo. Em quinto lugar, antes, a Ucrânia estava em posição de exigir concessões da Rússia, usando o fato de que os gasodutos de gás natural da Rússia para a Europa passavam em sua quase totalidade pela Ucrânia. Agora a Rússia está de mãos desatadas e pode construir novos acordos sobre gasodutos com a Turquia e a Alemanha.
Com efeito, do cheque contínuo na Ucrânia, a Rússia só obteve benefícios, enquanto os Estados Unidos ganharam um dependente embaraçoso e desagradável.
A próxima “conquista”, foi incrementar cada vez mais o conflito sírio, até transformá-lo em um beco sem saída (“cul de sac” no original- NT) onde embora alguns insistam em afirmar que se trata de uma guerra civil, na realidade é uma luta (de toda a nação síria) contra mercenários estrangeiros pagos por países como os Estados Unidos, Qatar e Arábia Saudita.
Para isso, Obama usou uma variedade de táticas. Tudo ao mesmo tempo, apoiou, armou, treinou e colocou na luta vários grupos terroristas, jogando um jogo que se tornou rotina para os Estados Unidos, a técnica de “terrorismo por procuração”. Fez um monte de acusações ridículas de que Assad estaria usando armas químicas contra seu próprio povo, o que imediatamente fez o mundo inteiro recordar das acusações também falsas de que Saddam teria armas de destruição em massa, e tais acusações acabaram por permitir à Rússia desempenhar um papel legítimo no campo de batalha. Obama fez intermináveis promessas de separa os “rebeldes moderados” dos terroristas radicais, os terroristas-mesmo, mas nunca conseguiu cumprir o prometido, o que deu aos russos liberdade para agir da maneira que lhes parecesse melhor. Negociou vários acordos de cessar fogo, apenas para violar todos eles em seguida.

Mas há outras “conquistas” a serem contabilizadas. Ao falar constantemente sobre uma “Ameaça Russa” inexistente, fazendo da “Agressão Russa” e da “Invasão Russa” um bicho papão sem qualquer sombra de evidência e ao realizar exercícios militares inúteis na Europa Oriental, especialmente nos geopoliticamente irrelevantes Países Bálticos, Obama tanto fez que acabou por retirar da OTAN qualquer resíduo de legitimidade que ainda tivesse. Hoje, a OTAN é uma brincadeira sem graça.
Mas talvez o melhor serviço prestado por Obama para ajudar a nação russa tenha sido dar uma mãozinha para a eleição de Donald Trump. Ele fez isso ao dar seu apoio decidido para a ridiculamente corrupta e inepta Hillary Clinton. Ela saiu na frente e gastou duas vezes mais que Trump, mas aparentemente não havia soma de dinheiro grande o bastante para lhe comprar a presidência. Como resultado da constante ajuda de Obama a Clinton, agora os Estados Unidos têm um presidente amigável aos russos e que está ansioso para fazer acordos com a Rússia, mas que terá que fazê-los a partir de uma posição de negociação mais enfraquecida.
Como tenho estado escrevendo já a cerca de uma década, é mais que certo que os Estados Unidos estão relando ladeira abaixo de sua posição de dominação global. Mas é certo que a atuação de Obama lubrificou a descida, e agora está chegando a hora de Trump acabar o trabalho.
Assim, desde que a contribuição de Obama foi de grande ajuda para a Rússia, proponho que ele seja honrado com a Medalha da Amizade da Federação Russa, para colocar ao lado de seu prêmio Nobel.

http://russia-insider.com/en/politics/obama-russian-agent/ri18343



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