quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

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A faceta sinistra do legado de Obama





Por Melvin Goodman tradução de btpsilveira

Há um lado sinistro do legado do Presidente Barak Obama nas questões de segurança nacional e internacional que pode permitir que o presidente eleito Donald Trump prejudique tanto as instituições (norte)americanas quanto a comunidade internacional. 

O presidente Obama, um advogado bem treinado, formado em Harvard e especialista em Direito Constitucional, não foi escrupuloso o suficiente com suas obrigações morais, criando uma página lamentavelmente infortunada na história dos Estados Unidos. Em vez de promover um “mundo seguro para a democracia”, na brilhante exortação do Presidente Woodrow Wilson cem anos atrás, o presidente Obama contribuiu para a instalação futura de um sufocante Estado de Segurança Nacional e uma cultura de sigilo hermético.
As administrações tanto do presidente George W. Bush quanto de Barak Obama inclinaram-se demais na direção do militarismo exacerbado, que já desempenhava um papel muito grande no processo do ciclo de inteligência. O Pentágono fez a inteligência estratégica sofrer em suas mãos com a dominação crescente que se destina principalmente a apoiar os militaristas beligerantes em época de guerra interminável. O fracasso das estratégias de inteligência durante a administração Obama inclui a ausência de cuidados necessários com os eventos na Crimeia e na Ucrânia; as “Primaveras Árabes”, a emergência do Estado Islâmico e a imprudência no trato com a Rússia na Síria.
Presume-se que a militarização da inteligência crescerá na administração Trump, já que será dominada por generais reformados e funcionários graduados de West Point em quase todos os departamentos fundamentais e agências da política para a comunidade mundial. A CIA se tornou uma organização paramilitar na sequência dos ataques de 11/9 e atualmente dá muito mais atenção às ações secretas.

As campanhas do Presidente Obama podem ter sido na base de transparência e abertura, mas ignorou solenemente as responsabilidades da CIA por suas transgressões e enfraqueceu os fundamentos do papel da inspeção de toda a comunidade de segurança nacional. Uma seção de Inspeção Geral estatutária foi criada em 1989 devido os crimes cometidos no episódio dos crimes Irã/Contra, mas o presidente Obama assegurou-se que nenhuma inspeção seria realizada contra a CIA durante a maioria dos oito anos de sua presidência e permitiu que o gabinete do Inspetor Geral da CIA fosse desmantelado.
O relatório impositivo do Comitê sobre a Inteligência do Senado sobre o uso ilegal pela CIA de abuso e tortura não poderia ser elaborado sem o trabalho do gabinete do Inspetor Geral, porém o presidente Obama tolerou que o diretor da CIA interferisse junto ao staff do Comitê e ignorou pedidos para que revelasse o relatório em sua totalidade. Resultado: será fácil para a administração Trump reinstalar o uso de tortura, violando as leis constitucionais dos Estados Unidos e a lei internacional, deixando de lado o bom senso e a decência. Com relação à prática ainda não banida de waterboarding (simulação de afogamento – NT), Donald Trump já disse que “apenas pessoas muito estúpidas dizem que isso não funciona”.

Além disso, a administração Obama está desencadeando uma campanha sem precedentes contra jornalistas e informantes, usando a Lei contra a Espionagem, já velha centenária, mais que o uso que dela fizeram todos os seus antecessores combinados. A lei que Obama está usando foi criada na realidade para processar funcionários do governo que falassem com jornalistas e não para intimidar informantes que apresentam denúncias legítimas, reportando crimes e impropriedades. Um antigo executivo e editor do jornal Washington Post afirma que o controle de informação usado abertamente por Obama é “o mais agressivo que eu vi desde a administração Nixon”.

O presidente Obama, sempre usando a sua retórica altamente rebuscada e altissonante, denunciou a tortura que “vão contra a plena execução do Estado de Direito”, alertou que o uso indiscriminado de drones poderá “definir o tipo de nação que deixaremos para nossas crianças” e que “vazar investigações pode prejudicar o jornalismo investigativo que faz com que o governo assuma suas responsabilidades”. No entanto, apesar da retórica, ele nunca quis responsabilizar aqueles que praticam o abuso e a tortura; expandiu o uso da guerra através de drones e, de acordo com o diretor executivo da Fundação para a Liberdade de Imprensa, “deixou tudo pronto para que Trump, se quiser, lance uma repressão sem precedentes contra a imprensa”.
Enquanto o congresso entregar ao presidente a condução da política nacional de segurança; enquanto os tribunais estiverem afastando qualquer desafio ao poder do presidente na condução da política de segurança do país e enquanto a mídia for submissa às fontes oficiais e autorizadas, a nação terá que confiar nos informantes e naqueles que revelam as informações essenciais sobre a segurança nacional ou internacional. Na administração Trump seu papel será ainda mais crucial, haja vista as afirmações imprudentes do presidente eleito sobre as forças nucleares, proliferação nuclear, uso da força e as relações dos Estados Unidos com seus principais aliados. O fato de que Trump renegou e permanece hostil aos briefings da inteligência e que suas três primeiras nomeações foram de notórios teóricos da conspiração criaram o pior cenário possível para o aprofundamento da parte sinistra do legado de Obama.

Melvin A. Goodman é pesquisador sênior no Centro para a Política Internacional (EUA), professor na Universidade John Hopkins e antigo analista da CIA, já tendo publicado vários livros. É colunista de Segurança Nacional do site CounterPunch.

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