sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Marinha Chinesa: em Construção para Substituir, não para Derrotar os EUA na Ásia.



Por Joseph Thomas, tradução de btpsilveira

Janeiro de 2017 – Joseph Thomas – New Eastern Outlook – De várias maneiras, a influência socioeconômica e militar da China já conseguiu equilibrar a equação, instável de longa data, do poder geopolítico na região. A estabilidade social e econômica trazida pela China, ao lado do resto da Ásia, ajudou a eliminar os vários “buracos negros” que os Estados Unidos e seus aliados europeus sempre usaram para criar divisão, destruição e oportunidades para intervenção e até mesmo a derrubada de governos inteiros.


Em particular, as ambições navais da China têm sido ridicularizadas pelos analistas políticos e militares do ocidente que acreditam (corretamente) que o crescimento das capacidades navais da China jamais alcançarão paridade com as forças navais dos Estados Unidos, espalhadas pelo globo.

Acontece que este é precisamente o ponto.

As capacidades navais da China não estão destinadas a tomar e manter uma hegemonia através da derrota dos Estados Unidos como nação, mas em vez disso, para substituir os Estados Unidos como uma potência hegemônica na Ásia, onde a presença dos Estados Unidos e as décadas de influência que sempre exerceu, tem menosprezado e às vezes abusado da soberania Vestfaliana (Soberania de Vestfália – oriunda do tratado conhecido como ‘Paz de Vestfália’ de outubro de 1648, – é uma formulação de Direito Internacional que assegura ao mesmo tempo o direito de um Estado ao próprio território e impede ingerências de terceiros Estados nos seus assuntos internos – NT).

Analistas ocidentais têm ressaltado que a capacidade chinesa para águas profundas estão bem distantes das dos Estados Unidos e que levará ainda muitos anos para se e quando a China se torne capaz de competir em termos de igualdade. Para exemplificar mostram que a China possui apenas um Porta-aviões operacional, o Liaoning, contra 10 Porta-aviões dos EUA.

No entanto, caso as ambições chinesas não sejam ultrapassar ou mesmo competir contra a frota global (norte)americana e simplesmente conter e em última instância substituir a presença (norte)americana no Pacífico Asiático, sua frota atual já é adequada. Analistas mostram que os efetivos navais chineses operam perto de seus portos e de bases continentais de sistemas de armamento com força aérea baseada em terra, e o conjunto disso pode fazer o poder militar pender significativamente em favor do país asiático.

A decisão chinesa de estabelecer o que pode ser chamado essencialmente de Porta-aviões inafundáveis com seu frenesi de construção de ilhas, aborreceu profundamente a potência ocidental hegemônica em declínio exatamente por essa razão. A partir dessas ilhas, caso a China queira ou seja forçada, pode disparar ataques contra o poder naval ocidental que mesmo a formidável Marinha dos Estados Unidos terá problemas para conter.

Enquanto analistas, políticos e demagogos se unem na tentativa de acusar a China de estar construindo forças militares que resultarão em uma guerra de larga escala entre Pequim e o ocidente, a realidade é que esta guerra só acontecerá se o ocidente falhar em conceder gentilmente que chegou o fim de sua “era imperial” e também da descabida influência que resultou na manutenção quase literal de um oceano longe de suas costas, no Pacífico Asiático.

Além da lenta derrocada da presença militar na região, muitos países que Washington chama de “aliados” mostraram recentemente sinais de mudança econômica e até mesmo militarmente em favor de Pequim. Isso resultou não do poder militar chinês, mas de sua crescente influência econômica, bem como dos padrões diplomáticos superiores de Pequim quando cotados com os de Washington.
Enquanto os Estados Unidos fornecem ONGs e "Revoluções Coloridas", a China presenteia seus vizinhos com infraestrutura e oportunidade de investimentos.

Enquanto os Estados Unidos desenvolvem uma política externa na região do Pacífico Asiático baseada no conceito de “construir uma nação”, seja através de intervenção militar direta e ocupação, vários métodos de coerção ou através do uso de seu imenso número de organizações não governamentais usadas para construir instituições paralelas dentro de nações aliadas para então destituir os governos existentes, substituindo-os por outros mais flexíveis, Pequim se concentra em grandes acordos incisivos de economia e infraestrutura, independente de quem está no poder.

A China não trabalha com organizações de mídia que propagam a subversão e agitação política, nem apoia partidos de oposição aos governos estabelecidos em seus vizinhos como os Estados Unidos faz o tempo todo. Em outras palavras, não importa o quão benéfica seja a relação desses países do Pacífico Asiático com os Estados Unidos, o espectro da subversão está sempre à espreita, o que não acontece quando os acordos são feitos com Pequim.

Não deixa de ser irônico que, apesar do poder militar inegavelmente grande dos Estados Unidos, foram os seus métodos diplomáticos fundamentalmente regressivos, que remetem a um colonialismo do tipo europeu, a causa principal do declínio de seu poder e influência no Pacífico Asiático. Mas pode se repetir que, se os Estados Unidos não tivessem perseguido uma política externa baseada na expansão territorial forçada, não necessitariam exercer seu poder e influência no Pacífico Asiático desprezando os limites civilizatórios da soberania Vestfaliana.

As forças navais chinesas, então, não pretendem navegar através do Pacífico para projetar seu poder e a influência de Pequim sobre os povos das Américas Norte e Sul. Sua intenção é meramente a contenção e eventual substituição das forças (norte)Americanas na Ásia. De várias maneiras a estratégia chinesa já está em andamento, e com o passar do tempo, inevitavelmente alcançará sucesso.

A presença (norte)Americana no Pacífico Asiático, como todos os poderes imperiais que antes já tentaram projetar sua influência milhares de quilômetros longe de suas praias, cedo ou trade se coloca numa situação de insustentabilidade insegura. Mesmo sem qualquer pressão, eventualmente chegará ao fim seu equilíbrio precário. O crescimento do poderio naval chinês, no entanto, pode providenciar o empurrão que assegurará tal efeito, antes cedo que tarde, em termos chineses.

Joseph Thomas é editor chefe do jornal geopolítico The New Atlas, baseado na Tailândia, e escreve para a revista online New Eastern Outlook.

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